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Balança comercial da região reage, mas cenário econômico ainda é de expectativa

Exportações do ABC cresceram 10,9% no primeiro trimestre. Foto: ArquivoA melhora da corrente de comércio exterior (importações mais exportações) do ABC no primeiro trimestre de 2017 indica lenta retomada da atividade produtiva, embora o mercado de trabalho, a produção industrial e as vendas do comércio ainda apresentem sinalizações negativas. Com o melhor resultado para o primeiro trimestre desde 2008, os primeiros três meses de 2017 apresentaram superávit comercial de US$ 336,1 milhões, aumento de 14,9% em relação ao mesmo trimestre de 2016, combinado com alta das importações (10,9%) e das exportações (12%).

Porém, com o aumento da taxa de desemprego para 17,5% em fevereiro, o nível de salário real dos trabalhadores da região é o menor desde 2010, revela a 14ª edição do Boletim EconomiABC (iABC), estudo produzido pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). O indicador iABC aponta para o Produto Interno Bruto (PIB) regional retração de 5% em 2015 e de 8,4% em 2016 (para queda de 3,8% e 3,6%, respectivamente, na economia brasileira).

“Se, de um lado, as propostas de reformas do governo têm por objetivo estimular a atividade econômica, a melhora da percepção de confiança dos empresários ainda não se traduziu em ampliação da atividade de fato. Após dois anos de forte retração, a expectativa é de que, em 2017, a economia apresente resultado melhor, mas o cenário ainda é de estagnação ou, no máximo, de baixíssimo crescimento”, comentou o coordenador do Observatório Econômico, professor Sandro Maskio.

A expansão das exportações no primeiro trimestre reflete demanda internacional pelos produtos feitos na região, mesmo com trajetória de valorização do real.

Desemprego cresce

A taxa de desemprego de 17,5% no ABC é comparável à de 12 anos atrás. Entre 2012 e 2016, a indústria de transformação perdeu mais de 64 mil postos formais de trabalho na região. O setor de serviços também registrou forte perda de empregos, com queda de mais de 16,5 mil postos entre 2015 e 2016. No primeiro trimestre deste ano, o saldo de geração de empregos formais foi negativo, com registro de menos 4.991 postos de trabalho, cerca de metade das perdas ocorridas no mesmo período de 2016.

O salário real de janeiro deste ano, deflacionado pelo Índice de Custo de Vida da Fundação Seade (ICV/Seade), é cerca de 15% menor que o vigente em janeiro de 2015, devido ao aumento da competição no mercado de trabalho, menor demanda por mão-de-obra por parte do setor produtivo, menor faturamento e menor disposição das empresas em custear salários. Nos últimos 12 meses a massa de rendimento dos trabalhadores ocupados diminuiu 9,5%.

“A atual retração do mercado de trabalho não deverá ser revertida tão cedo. Em geral, o nível de emprego é um dos últimos indicadores a melhorar quando há retomada da atividade. Já a recuperação do poder de compra dos salários levará tempo ainda maior”, comentou Maskio.

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