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Auxílio emergencial atenuou perdas do varejo no ABC em 2020

Auxílio emergencial atenuou perdas do varejo no ABC em 2020
Faturamento do setor caiu 1,0% no ano passado, mas recuo teria sido de 4,9% sem o benefício pago aos vulneráveis

Prejudicado pela pande­mia de covid-19, o co­mércio varejista do ABC in­ter­rom­peu em 2020 sequência de quatro anos consecutivos de alta nas vendas. O resultado, porém, teria sido mui­to pior sem o auxílio emergen­cial pago pelo go­verno aos vulne­ráveis, que vigorou entre abril e dezembro do ano passado.

O setor faturou R$ 43,9 bi­­­­lhões na re­gião em 2020, montante 1,0% inferior em termos reais (des­contada a inflação) ao apurado no ano anterior (R$ 44,3 bi­lhões), se­gundo pes­quisa realizada pe­­la Federa­ção do Comércio do Estado de São Pau­lo (Feco­mer­cioSP) com ba­se em dados da Secreta­ria Estadual da Fazenda (Sefaz).

Sem o auxílio, que foi pago a mais de 700 mil pessoas no ABC, o tombo do varejo teria sido ainda maior, de 4,9%, para R$ 42,2 bilhões, segundo projeção fei­­ta pela FecomercioSP a pedido do Diário Regional.

Ocorre que, dos R$ 3 bilhões desembolsados pelo governo fe­deral aos mais vulneráveis nos sete municípios, R$ 1,75 bilhão (58,3% do total) irrigou o vare­jo local, estimou a entidade.

No Estado de São Paulo, onde o varejo registrou crescimento real de 3% em 2020, as vendas teriam recuado 1,1% sem o benefício do governo.

“O auxílio emergencial ate­nuou de forma bastante expressiva a redução nas vendas do varejo do ABC e, por extensão, do Estado de São Paulo e do país. Não foi suficiente pa­ra impedir que o setor encerrasse 2020 em queda na região, mas reduziu bastante esse tombo”, comentou Altamiro Carvalho, assessor eco­nômico da FecomercioSP.

O desempenho do varejo dos sete municípios em 2020 foi marcado por resultados assimétricos. No corte por setores, apenas três de um total de nove tiveram cres­ci­mento nas vendas: su­permer­cados (alta de 12,2%), farmácias e perfumarias (+3,3%), e lojas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos (+1,7%).

Por outro lado, segmentos co­mo o de vestuário e calçados, móveis/decoração e conces­si­onárias de veí­culos regis­tra­ram quedas expressivas no ano passado, de 22%, 12,3% e 20%, respectivamente.

Curiosamente, o setor de melhor desempenho no Estado de São Paulo foi o de materiais para construção, que teve alta de 18,7% nas vendas – puxada por pequenas reformas realizadas pelas famílias para adequar as residências ao confinamento e ao home offi­ce. No ABC, porém, esse segmento faturou 0,4% menos – resultado que Carvalho atribuiu à possível migração de consumo para a Capital, por conta de preços mais baixos.

O assessor eco­nômico da Fe­­comercioSP afirmou que o ce­nário para este ano têm tantas incertezas que inviabiliza qualquer projeção para o setor. “Por exemplo, a gente não imagi­nava que o varejo vol­tasse a ter restrições de funcionamento em 2021, mas está acontecendo novamente. O que dá para dizer é que o desempenho estará diretamente relacionado aos rumos da pandemia ao longo do ano e a seus efeitos sobre o emprego e sobre as empresas, que já estão bastante fragilizadas”, disse.

Para piorar, lembrou Car­va­lho, a segunda rodada do au­xílio emergencial não terá o mesmo impacto da rodada inicial. No ABC, deve girar em torno de R$ 350 milhões, segundo projeção do Diário Regional.

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