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Auricchio promete destravar escola erguida em sua gestão

Auricchio: “Propor isso (isenção fiscal para empresas) é demonstrar pouco conhecimento”. Foto: Eberly Laurindo

Ex-prefeito de São Caetano por oito anos e em busca de novo mandato à frente do Palácio da Cerâmica, José Auricchio Junior (PSDB) afirmou em entrevista ao Diário Regional que, se eleito, vai inaugurar “imediatamente” a Escola Municipal Infantil (EMI) José Auricchio, como forma de ampliar a oferta de vagas no ensino infantil. A escola foi construída durante sua gestão, mas impedida de entrar em funcionamento devido à proximidade com posto de gasolina. O tucano também enfatizou que dará atenção especial à Saúde e segurança, classificadas pelo ex-prefeito como áreas prioritárias. Entre as propostas do tucano está a construção de novo centro de especialidades médicas, na Avenida Goiás, e a centralização de chamados de emergência, por meio da retomada do programa 199 SOS Cidadão, criado na gestão de seu padrinho político, o ex-prefeito Luiz Olinto Tortorello (PTB).

Fale um pouco sobre seu plano de governo, lançado na sexta-feira (16), e sobre as prioridades da sua eventual gestão.

Estamos buscando a retomada do desenvolvimento de São Caetano, juntamente com a reorganização dos serviços públicos, que permeiam tudo isso. Dentro desta reorganização, a prioridade será os setores de Saúde e de segurança. São as duas áreas que vão receber mais nossa atenção, porque minha história está ligada à Saúde e porque a segurança é uma dificuldade gigante da cidade. Precisamos ter um olhar especial para essas áreas. Na Saúde, a maior inovação será o centro de especialidades mé­dicas Atende Fácil Saúde, que vai funcionar na Avenida Goiás, ao lado da delegacia.

A reorganização da Saúde é uma das suas principais bandeiras nesta eleição. O que mais a população pode esperar de ações nesta área em seu governo?

A Saúde precisa de reorganização completa, iniciando pela atenção básica. Há quatro anos a cidade não ganha uma equipe de Saúde da Família e precisamos voltar a expandir esse programa. Vamos contratar médicos e enfermagem para a rede de atenção básica, porque hoje consultas simples demoram meses para serem realizadas. Vamos voltar a ter abastecimento adequado da rede pública de Saúde, com compra de materiais e medicamentos sem superfaturamento, a preço de mercado. Só com essa ação teremos uma oferta ampliada de medicamentos e materiais hospitalares. A atenção hospitalar também precisa ser reorganizada. Os hospitais estão sucateados, com UTIs e centros cirúrgicos com aparelhos sem funcionar. A inovação se dará no sistema intermediário, entre atenção básica e hospitalar, que será o Atende Fácil Saúde.

Quais os planos para o Hospital São Caetano?

É preciso deixar claro que o Hospital São Caetano não é um equipamento da prefeitura. É uma sociedade beneficente e, portanto, tem donos e aplicações jurídicas e tributárias. Porém, do ponto de vista do poder público, só há uma saída para o hospital: intervenção dos entes federativos. Se não houver a presença do Estado e da União, sozinho o município não tem condição de reativar esse equipamento. Isso tem de ser feito com o protagonismo do Consórcio Intermunicipal, que deve fazer essa articulação. Caso contrário, não há expectativa de trazer esse hospital de volta. Deixamos na minha última gestão um início de funcionamento do hospital, que foi desativado pela atual gestão.

O senhor comentou que a Segurança será priorizada, mas que ações pretende implementar?

Fundamentalmente, vamos trazer de volta o sistema do 199 de chamados eletrônicos, que centralizava todas as forças de sistema de emergência da cidade em um único ponto e com um único telefone de contato. Com isso, havia tempo de resposta muito menor. Também vamos trazer o videomonitoramento de volta, juntamente com uma inovação, que é a barreira eletrônica para leitura ótica de placas de carro. De forma instantânea, essa tecnologia gera informações sobre aquele veículo: se é roubado, se a placa é fria, se o documento está em dia… Com isso consegue-se manter um banco de dados com a central de monitoramento, permitindo ações mais rápidas no combate ao crime. Além disso, vamos voltar com o policiamento comunitário.

Será necessária a compra de novas câmeras para esse monitoramento?

Deixamos 98 câmeras em funcionamento na minha gestão, mas hoje a cidade tem apenas cinco. Vamos retomar essas câmeras. Antes precisamos fazer um inventário para saber por que essas 93 câmeras pararam de operar, se é problema de manutenção ou deterioração. Pode ser uma simples peça que precisa ser trocada, mas nossa ideia é voltar a ter ao menor uma centena de câmeras.

Apesar do aumento da demanda na educação, nenhuma sala de aula foi aberta nos últimos quatro anos. O que o senhor propõe para essa área?

A educação é um problema, mas o que me angustia muito é a educação infantil. Hoje temos quase mil crianças fora da escola, porque não foi construída nenhuma sala de aula. Além dessa defasagem, enfiaram 30 crianças em salas de aula que comportam apenas 20 alunos, colocando-os, inclusive, em risco de vida. Vamos ter de tomar atitudes imediatas em janeiro. Estou com um grupo estudando a questão da educação infantil, mas talvez tenhamos de ir ao mercado contratar vagas na rede privada, ao menos no primeiro ano. Há diretores e escola que nos procuram para falar que são obrigados a revezar o turno do sono das crianças, porque não tem colchão para todo mundo. Isso é uma questão que nos preocupa muito.

Há previsão de construção de novas creches para reduzir essa defasagem?

Vou abrir imediatamente a escola que batizei com o nome do meu pai e que é acusada de estar próxima a um posto de gasolina, o que é uma mentira. O fundo dela está junto ao posto de gasolina, mas a escola está em outro quarteirão. Vamos abri-la e ali comportaremos quase 400 crianças. É um equipamento importantíssimo no planejamento que tínhamos para a cidade transcorrer bem nesses quatro anos. A atual gestão começou uma nova escola de forma inadequada ao lado do hospital de emergências, mas vamos continuar essa obra para ofertar mais uma unidade até o meio do ano. Com essas duas unidades entrando em operação vamos chegar perto do equilíbrio da demanda.

O atual governo frequentemente cita a dívida deixada por sua gestão. Financeiramente, como o senhor espera herdar a prefeitura?

Não vamos repetir a mentira que repetiram. Não existe dívida, mas sim restos a pagar, que é o que o atual prefeito está deixando para o próximo. É uma situação complexa, mas é natural que haja restos a pagar. Espero que deixe em um tamanho razoável. Teremos de reorganizar as finanças do município, porque o problema não é apenas os restos a pagar, mas também a crise econômica. Há uma recessão que impõe dificuldades e sacrifícios enormes para os municípios. Quem acompanha a imprensa sabe a situação. No Nordeste houve estados decretando situação de calamidade pública. O governo de São Paulo está suando para manter a folha de pagamento em dia. Não dá para esperar que tenhamos um período tranquilo do ponto de vista das finanças. Porém, não será por isso que vamos deixar de trabalhar e ficar chorando como a atual gestão fez nesses quatro anos.

Durante debate da Associação Comercial de São Caetano (Aciscs), o senhor comentou que vai flexibilizar a Lei Cidade Limpa, implementada em sua gestão. Por que revisá-la agora?

Sempre pautei minhas administrações e minha vida pelo interesse público e entendi, em determinado momento, que a poluição visual da cidade merecia uma medida de impacto. Isso se traduziu no conjunto de leis que ficou conhecido como Cidade Limpa. Foi mal recebido pelo comércio local e faço um “mea culpa” exclusivo disso. Tenho muita humildade para reconhecer meu erro, ainda que dentro de um propósito positivo. Na eleição passada, inclusive, isso foi motivo para que o atual prefeito fizesse um monte de promessas ao comércio que não foram cumpridas. Dois presidentes passaram pela associação comercial e nenhum conseguiu que a prefeitura atendesse o pleito dos comerciantes. Lancei uma carta aos comerciantes após discussão com 1,2 mil estabelecimentos comerciais, mostrando que a flexibilização que queremos implementar é praticamente voltar ao status anterior à lei. É o desejo deles e vamos atendê-los. Faz parte do mercado. Tem algumas coisas que entendemos que são perniciosas, como essa quantidade excessiva de faixas na rua.

O senhor disse recentemente que não pretende conceder isenção fiscal a empresas, por entender que é uma proposta populista.

O espaço de manobra para a isenção fiscal no âmbito municipal é muito pequeno. Propor isso é demonstrar pouco conhecimento da estrutura fiscal municipal. O Supremo Tribunal Federal (STF) já julgou que o município tem a alíquota de 2% como piso de arrecadação de Imposto Sobre Serviços (ISS). O que pode ser feito é baixar algumas alíquotas, que são minoria, para esse piso. Qualquer outra proposta é falaciosa. Na questão do IPTU concedi (incentivos) para trazer a Rede D’Or de hospitais, mas o impacto foi baixo. Para a cidade voltar a crescer é preciso que a economia nacional gire, porque nossa principal atividade é a industrial. Quase 60% da nossa arrecadação vem do ICMS, que é gerado fundamentalmente pela indústria. O centro tecnológico da General Motors, por exemplo, se instalou na cidade porque naquele momento conseguimos uma condição fiscal interessante.

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