Política-ABC, Regional

Audiência Pública sobre Desaparecidos reúne autoridades, sociedade civil e entidades

Audiência Pública sobre Desaparecidos reúne autoridades, sociedade civil e entidades
O deputado estadual Luiz Fernando, coordenador da Audiência Pública, destaca o compromisso do mandato com a causa e empenha apoio na luta. Foto: Divulgação

O auditório Paulo Kobayashi da Assembleia Legislativa de SP foi palco de uma grande e qualificada audiência pública que levantou a questão das pessoas desaparecidas e a luta dos familiares pela busca. Casos que extrapolam a questão dos direitos humanos e torna-se um caso de segurança pública.

O evento foi dividido em três mesas temáticas.

A primeira mesa foi composta pela Dra. Elisiane Santos membro do Ministério Público do Trabalho, procuradora e coordenadora do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil em São Paulo; pela dona Ivanise Esperidião da Silva Santos, presidente da ONG Mães da Sé, pela dona Vera Lúcia Rhanú, coordenadora da associação nacional Mães em Luta, pela Dra. Larissa Leite, coordenadora do Programa de Pessoas Desaparecidas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, pelo Dr. Ítalo Cardoso, do Conselho de Direitos Humanos da OAB São Paulo e coordenada pelo deputado estadual Luiz Fernando Teixeira.

Dra. Elisiane destacou a questão do trabalho infantil, o que acaba impactando na questão dos desaparecidos, muitas vezes aliciados ou forçados ao trabalho escravo. Resumiu a explanação em duas frases impactantes: a primeira do líder sul-africano Nelson Mandela: “Não há revelação mais nítida da alma de uma sociedade do que a forma como ela trata as suas crianças”. E arrematou : “a perversidade de alguns não pode destruir a nossa alma da sociedade brasileira. Vamos em frente! Que as reflexões de hoje se transformem em ações na defesa de direitos.”

A guerreira Ivanise Espiridião da Silva Santos fez um relato da sua trajetória de lutas que se iniciou a 23 anos e 6 meses, quando sua filha desapareceu. Ressaltou os problemas que vão desde o simples registro do desaparecimento na delegacia de Polícia, e a dor infindável da perda.

Vera Rhanu, da Mães em Luta foi na mesma linha, porque também tem uma filha desaparecida há mais de 20 anos.

Dra. Larissa Leite do CICV destacou a problemática nacional e dados do Relatório produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Púbica a partir da entidade.

Dr. Ítalo Cardoso destacou problemas diversos e da inoperância do Estado.

O deputado estadual Luiz Fernando falou da importância do evento e da luta constante dos familiares, ressaltou a questão de dar dignidade, principalmente às mães, uma vez que os desaparecidos têm uma vida, uma história, uma identidade, e isso tem que se sobrepor aos números frios de estatísticas, por isso o nome do evento Vitrine dos Desaparecidos, para dar visibilidade às histórias de cada um e a luta em geral, e concluiu: “Não são filhos de chocadeira”.

A segunda mesa foi composta por:

Dra. Claudia Figaro e Dra. Fernanda Toledo ambas do CENCIFOR – Centro de Ciências Forenses da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – Projeto Caminho de Volta; pela Dra. Isabela pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pelo Sr. Darko Hunter coordenador da Divisão de Localização Familiar de desaparecidos da Prefeitura de São Paulo, pelo Dr. Rafael Pitanga Guedes da Defensoria Pública do Estado, representando no ato o Defensor Geral do Estado. Dr Davi Eduardo Depiné Filho e a Dra. Eliane Vendramini, promotora do Ministério Público do Estado de São Paulo, coordenadora do PLID – Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos e coordenada pelo deputado estadual Luiz Fernando.

Nessa mesa foram debatidos os diversos programas de cidades e do Estado que já têm obitido resultados positivos.

A Dra. Eliana Vendramini destacou a questão da vítima, que não está ausente, mas presente na família que sofre a dor de desconhecer o que ocorreu com seu ente querido.

E enfatizou: “O desaparecido estava desaparecido como tema”. O evento de hoje o recoloca no centro do debate político,

O deputado estadual Luiz Fernando falou sobre a importância dos trabalhos realizados e a necessidade de ampliar o seu acesso, além de concatenar todas essas ações em acessibilidade e resultados, colocando-se à disposição de levar o problema, não exclusivamente para seu mandato, mas para toda a Assembleia Legislativa.

A terceira Mesa foi composta pela Dra. Maria Helena do Nascimento, delegada titular da 4ª delegacia de Pessoas Desaparecidas e Investigação de Cadáveres do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Policia Civil de São Paulo (DHPP), estava acompanhada da Dra. Ana Lúcia Lopes Miranda, delegada assistente da 4ª. Delegacia de pessoas desaparecidas; o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Leon Diniz Valette Pomar, dr. Roberto Troncon representando a Superintendência da Policia Federal de São Paulo e o delegado geral da Polícia Federal, Dr. Waldir Antonio Corino Junior, representando o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, general Campos e coordenada pelo deputado estadual Luiz Fernando.

A temática foi a questão da Segurança Pública.

O deputado estadual Luiz Fernando discorreu sobre o sucateamento da Polícia Civil em todos os sentidos, inclusive e principalmente na falta de efetivos.

Medidas imediatas da Audiência Pública para que o assunto continue na pauta política: “De imediato vamos instalar em setembro a Comissão Parlamentar para ampliar a participação e a constância no assunto, e também a Comissão Especial sobre os desaparecidos que, muito provavelmente, deverá ser presidida por mim. Tudo isso para buscar respostas, buscar soluções e procurar além de dar alento a essas pessoas, prevenir novos casos”, finalizou Luiz Fernando.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*