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Audi pode deixar de produzir carros no Brasil se governo não pagar dívida

Audi pode deixar de produzir carros no Brasil se governo não pagar dívida
Audi produz o sedã A3 em São José dos Pinhais, em fábrica compartilhada com a VW. Foto: Divulgação

O presidente da Audi do Brasil, Johannes Roscheck, disse nesta quinta-feira (24) que a empresa vai deixar de produzir o hatch A3 no país em dezembro e suspenderá toda a produção local por cerca de um ano para avaliar investimentos em um novo modelo. A retomada de fabricação local, porém, depende de o governo federal acertar o pagamento de dívida pendente em créditos tributários desde o programa Inovar-Auto, criado em 2012 e encerrado em 2017.

Segundo o executivo, serão necessários novos investimentos e remodelação da linha produtiva para a produção de um novo veículo. “Assinamos um compromisso de pagar e receber de volta e é difícil convencer a matriz alemã a investir num mercado que não é responsável em cumprir compromissos”, afirmou. Hoje o A3 é o único modelo da marca com produção local e essa versão sairá de linha.

Desde o ano passado há boatos de que a empresa deixaria de produzir automóveis no país porque os investimentos para fabricar as novas versões de A3 e Q3 seriam elevados. O Q3 nacional saiu de linha no início de 2019 e passou a ser importado e o mesmo vai ocorrer com o A3. Roscheck, porém, afirmou que os dirigentes da filial brasileira estão “preparados para lutar por um novo projeto”, mas vai depender das discussões sobre essa pendência”.

Segundo a Audi, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, há cerca de um ano, que aceitaria pagar a dívida ao longo de dez anos mas não voltou a falar sobre o tema. “Mesmo que o pagamento seja feito no longo prazo nós aceitamos, mas precisamos de uma decisão”, disse Roscheck. Procurado, o Ministério da Economia não comentou.

Segundo o executivo, ainda que ocorra o acerto, a empresa terá de manter a fábrica parada por pelo menos um ano para definição e adequações a um novo modelo.

SUPER IPI

O saldo remanescente é de R$ 290,7 milhões divididos entre as três fabricantes alemãs de carros de luxo Audi, BMW e Mercedes-Benz. Quando foi criado, o Inovar-Auto estabeleceu alta de 30 pontos porcentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados, a fim de estimular a produção local.

Um dos pontos do programa previa a devolução desse imposto extra pagos nos modelos importados de empresas que anunciassem projetos de produção local. O valor seria compensado a partir do momento em que a fábrica começasse a operar.

Quando o Rota 2030 – programa que substituiu o Inovar-Auto – foi sancionado, no final de 2018, a dívida não foi citada no texto. O então presidente Michel Temer enviou para o Congresso o Projeto de Lei 10.590 estabelecendo o pagamento no prazo de cinco anos, mas o PL está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Gleide Souza, diretora de Assuntos Corporativos da BMW, afirmou que é preciso criar um mecanismo para liberar o crédito que está parado e a aprovação do PL é uma alternativa. Essa pendência, segundo Gleide, cria insegurança entre as empresas e pode inviabilizar novos projetos, embora não seja o caso da marca no momento. A Mercedes-Benz informou que “tem valor substancial a receber e está acompanhando o tema.”

As três fabricantes investiram R$ 1,7 bilhão para iniciar operações no país. A BMW construiu fábrica em Araquari (SC), a Mercedes em Iracemápolis (SP) e a Audi voltou em 2015 a dividir instalações com a coligada Volkswagen em São José dos Pinhais (PR), onde já tinha produzido o A3 de 1999 a 2006.

Juntamente com a Jaguar Land Rover, as quatro empresas do segmento premium têm capacidade produtiva de mais de 100 mil veículos ao ano, mas nunca chegaram nem à metade desse volume em razão, segundo alegam, das sucessivas crises econômicas.

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