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Atos no domingo expõem ‘racha’ na frente de direita

As manifestações de domingo (26), convocadas por simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (PSL) nas redes sociais, estão provocando racha na grande frente de direita que apoia o ex-capitão – um balaio que reúne militares, liberais, evangélicos, “lavajatistas”, anti-petistas desgarrados e cidadãos comuns fartos da corrupção e da falta de segurança no país.

O racha, insinuado com os ataques do escritor Olavo de Carvalho e de seus pupilos a militares que fazem parte do governo e aos ex-ministros Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, e Ricardo Vélez Rodríguez, da Educação, agora ganhou novas dimensões.

De um lado estão os que apoiam as manifestações, como os grupos mais radicais do “frentão” pró-Bolsonaro e a ala ligada ao escritor Olavo de Carvalho, com a qual se identificam Eduardo e Carlos Bolsonaro, filhos do presidente. A turma tem também o apoio de boa parte da bancada do PSL no Congresso, inclusive o deputado federal Alexandre Frota (SP), desafeto dos olavistas.

Do outro lado estão os parlamentares do PSL que não integram a brigada ola­vista, como os deputados federais Luciano Bivar (PE), presidente do partido, e Joice Hasselmann (SP), líder do governo no Congresso, além da deputada estadual Janaina Paschoal (SP). Fazem parte do grupo, ainda, o partido Novo e movimentos e personalidades que apoiaram o presidente nas eleições, mas não participam do governo, como o MBL e o Vem Pra Rua, o músico Lobão e o presidente do Instituto Mises Brasil, de orientação ultraliberal, Hélio Beltrão.

A discórdia se deve não só à realização como à pauta das manifestações. Os que se opõem aos atos consideram a convocação extemporânea, num momento em que o go­verno depende do Congresso para aprovar a reforma da Previdência, entre outras medidas. “Não vamos conseguir aliados atacando quem pode votar conos­co nos textos que são importantes para o go­verno”, diz Joice.

Foi a possível inclusão de bandeiras autoritárias na pauta das manifestações que selou o racha, afastando de vez apoiadores mais moderados do governo. Diante do que consideram como “podridão do sistema”, os mais radicais queriam a inclusão do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal na pauta. Porém, a repercussão negativa levou nomes influentes do “bolsolavismo” nas redes a limá-las da agenda. Ao final, ficaram quatro pontos: aprovação da reforma da Previdência; aprovação do pacote anticrime do ministro Sergio Moro; aprovação da MP 870, da reforma administrativa; criação da CPI Lava Toga.

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