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Atos contra Bolsonaro reúnem milhares de pessoas em 200 cidades

Atos contra Bolsonaro reúnem milhares de pessoas em 200 cidades
Manifestantes se reúnem no vão livre do Masp para pedir a saída de Bolsonaro. Foto: Bruno Rocha/Enquadrar/Estadão Conteúdo

Dezenas de milhares de pessoas se reuniram neste sábado (29), em mais de 200 cidades, incluindo capitais no exterior, em protestos contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a atuação do governo no combate à pandemia de covid-19. Embora os manifestantes usassem máscara, houve muita aglomeração. Os atos marcam nova fase na mobilização de movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de oposição, que abandonaram o “fique em casa” para intensificar a agenda nas ruas, pregando o “protesto seguro”.

“Ninguém queria estar na rua no meio de uma pandemia, mas Bolsonaro não deixa alternativa. Estamos na rua para defender vidas. Não vamos esperar sentados até 2022”, disse Guilherme Boulos, em São Paulo. “É só o começo.”

A declaração do ex-candidato do PSOL à Presidência resume a intenção declarada dos opositores do governo de ampliar os protestos, apesar da pandemia. A mobilização é ainda uma resposta às iniciativas de Bolsonaro e seus apoiadores, que têm promovido “motocadas” e outras manifestações em defesa do governo sem nenhum tipo de cuidado, em afronta às recomendações para conter a pandemia.

Sem citar os protestos, Bolsonaro publicou no sábado foto em suas redes sociais segurando uma camiseta com os dizeres “imorrível, imbroxável, imexível”.

Além de ecoar o “Fora, Bolsonaro”, os atos criticaram a falta de vacina, o negacionismo em relação ao enfrentamento da covid-19 e defenderam a retomada do auxílio emergencial de R$ 600.

A organização reuniu a Frente Brasil Sem Medo, a Frente Brasil Popular, a Coalização Negra por Direitos, a União Nacional de Estudantes (UNE) e a Campanha Nacional Fora Bolsonaro, além de centrais sindicais, partidos políticos e outros grupos da sociedade civil, como o movimento Acredito, coorganizador dos atos em São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Sul. A estimativa de cidades participantes é dos organizadores – que, em diversos municípios, distribuíram máscaras e divulgaram recomendações de segurança em saúde, como a tarefa praticamente impossível de manter ao menos um metro de distância entre as pessoas.

VIOLÊNCIA

Os atos em geral foram pacíficos. No Recife, porém, em confronto com manifestantes, a Polícia Militar usou bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta para dispersar a multidão. O governador Paulo Câmara (PSB) condenou o ocorrido e ordenou a abertura de investigação.

Manifestantes afirmaram que a PM atacou de forma inesperada e sem nenhum motivo aparente. “A gente não estava fazendo nada. Só estava atravessando a ponte, em fila, batendo palma, algo muito tranquilo, e eles (a PM) responderam dessa forma, do nada”, disse a professora Eva Marinho.

A professora participava do ato desde o início, às 10h, e não ficou ferida. A PM usou spray de pimenta contra a vereadora do PT Liana Cirne, também de forma inesperada, e dentro de uma viatura, enquanto a petista conversava com agentes. O comandante e os policiais envolvidos foram afastados de seus postos até a conclusão das investigações.

Desde a última segunda-feira, Pernambuco está sob novo decreto estadual com medidas de restrição para atividades sociais e econômicas. Especialmente neste fim de semana e no seguinte, está permitido apenas o funcionamento de serviços essenciais, mas as pessoas não estão proibidas de circular.

Em São Paulo, pancadas de chuva atrapalharam os preparativos para o ato na Avenida Paulista, à tarde. Centenas de manifestantes romperam as barreiras que impediam o acesso ao vão-livre do Masp e se abrigaram lá enquanto chovia. Por volta das 17h, a Paulista e vias transversais foram fechadas. Um boneco gigante de Bolsonaro como “capitão cloroquino” foi inflado pelo movimento Acredito.

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