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Atila: ‘vamos cortar contratos superfaturados’

Atila: “Vamos otimizar secretarias. Algumas pastas foram criadas meramente para acomodar aliados”. Foto: Eberly LaurindoEm entrevista ao Diário Regional, o prefeito eleito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), afirmou que pretende realizar reforma administrativa e enxugar a máquina, a fim de garantir os recursos que vão tornar realidade suas propostas de campanha. “A questão financeira será resolvida a começar pela revisão e pelo corte de contratos superfaturados, sem contar as medidas de corte de gastos e enxugamento da máquina pública que tomaremos”, afirmou. O socialista reafirmou seu compromisso com um governo técnico, que vai priorizar pessoas capacitadas no primeiro escalão, e sua crença em um bom relacionamento tanto com o governo federal quanto com o estadual. “O presidente (Michel) Temer – que é do PMDB, partido da vice-prefeita Alaíde (Damo) – deixou as portas do Palácio do Planalto abertas para que Mauá seja incluída nos projetos de investimento. Pela primeira vez, Mauá terá boa relação com essas duas esferas de poder”, comemorou.

Quais são as primeiras medidas que o senhor tomará assim que assumir o Paço?

Daremos total atenção às medidas de prevenção e combate a enchentes, bem como à limpeza de vias, bueiros, córregos e ao monitoramento de áreas de risco. Ao mesmo tempo, estaremos debruçados sobre a reorganização da rede municipal de Saúde. Nosso objetivo é colocar a estrutura que temos para funcionar de maneira correta, com vistas à reabertura das portas do Pronto Socorro do Hospital Nardini ao povo.

Como pretende equacionar a questão financeira para garantir a passagem de ônibus com valor reduzido aos domingos e feriados? Qual será o valor e a partir de quando entrará em vigor?

Vamos discutir essa questão com a empresa concessionária das linhas municipais de ônibus. Queremos encontrar um ponto de equilíbrio financeiro entre a empresa e a prefeitura. O valor do desconto será definido nessa conversa.

Há alguns projetos que, segundo a atual gestão, já estão em processo licitatório, como a urbanização do bairro Chafic/Zaíra e a construção de terminais de ônibus. Esses projetos terão continuidade?

Boa parte desses projetos nasceu na gestão anterior à atual. Queremos avançar na urbanização de áreas de risco, como o Chafik/Macuco. Inclusive, estive em Brasília para dialogar sobre a retomada do repasse de recursos federais para estes projetos. Vamos atualizar os projetos e seguir com as obras. O sistema viário da cidade passará por ampla reformulação e vamos adequar os projetos em curso ao novo planejamento.

O que o senhor pensa em fazer a respeito da dívida da Sama com a Sabesp?

Vamos discutir esse passivo judicialmente para chegar ao valor real, um valor que seja viável (pagar) e vamos trabalhar para quitar este débito.

Durante a campanha, o senhor falou em estabelecer convênios com creches particulares para reduzir a fila de espera e também com clínicas particulares a fim de reduzir a espera para exames. A prefeitura terá condições financeiras de arcar com esses gastos?
Nesse período de transição tomaremos pé da real situação financeira da prefeitura. Os convênios com creches e clínicas particulares serão feitos, pois é compromisso do meu plano de governo. A questão financeira começará a ser resolvida com a revisão e o corte de contratos super­faturados, sem contar as medidas de corte de gastos e enxugamento da máquina pública que tomaremos.

O senhor contou com o maior arco de alianças da eleição e ainda recebeu apoios no segundo turno. Já conversou sobre o espaço a ser dado a cada um desses partidos no seu governo?

Nosso governo será composto de pessoas técnicas, com capacitação para gerir as devidas áreas. Em alguns casos vamos casar indicações técnicas com políticas em setores que nos permitam. A composição política teve o propósito de fortalecer um projeto de mudança e todos concordam que a expectativa em torno da nossa vitória exige um governo de excelência, uma gestão que atenda as reivindicações históricas do povo.

O senhor falou durante a campanha que seu secretariado terá perfil técnico. Os partidos aliados têm pessoal qualificado?

Como disse anteriormente, os partidos estão unidos por um projeto de mudança e todos concordam em organizar um governo qualificado para atender aos anseios do povo por serviços públicos de qualidade. Mauá será uma cidade eficiente.

Em quais condições financeiras o senhor imagina encontrar a prefeitura?

Espero encontrar verba em caixa para que nenhum serviço seja prejudicado e o povo não sofra com isso. Sabemos que o país vive uma crise econômica, mas isso não será usado como desculpa. Faremos corte de gastos e enxugaremos a máquina pública para que o município tenha condições de investir.

O senhor pretende cortar secretarias? Quantas? Existe estudo de quanto isso geraria de economia?

Vamos otimizar secretarias. Algumas pastas foram meramente criadas para acomodar aliados. É fácil notar, pois algumas têm exatamente a mesma função. Estamos estudando e vamos definir muito em breve o novo modelo administrativo para a Prefeitura de Mauá.

Como o senhor espera que será a relação com os governos federal e estadual?

A melhor possível. No Estado temos o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que participou de nossa campanha e já nos deu garantia de investimentos para melhoria da Saúde, segurança e mobilidade. Quanto ao governo federal, o presidente Michel Temer – que é do PMDB, partido da vice-prefeita Alaíde (Damo) – deixou as portas do Palácio do Planalto abertas para que Mauá seja incluída nos projetos de investimento dos ministérios. Pela primeira vez, Mauá terá boa relação com essas duas esferas de poder.

O senhor falou em geração de emprego e renda durante a campanha. Como pretende realizar essa promessa, uma vez que a questão é muito mais influenciada por condições macroeconômicas do que por medidas locais?

Mauá abriga os polos industrial, de Sertãozinho, e petroquímico, de Capuava. Ambos têm capacidade de crescer, condições de abrigar novas empresas. Criaremos uma po­­lítica para atrair indústrias modificando a estrutura fiscal e investindo na qualificação da mão de obra local. A logística de Mauá já é uma referência no Estado de São Paulo.

O senhor pretende adotar políticas de incentivo para atrair empresas?

Criaremos políticas de atra­ção de empresas e indústrias voltadas aos polos industrial e petroquímico. Faremos investimentos em infraestrutura, pois muitas empresas deixam de se instalar aqui por falta de condições. O polo de Sertãozinho, por exemplo, teve a rede de esgoto construída por meio de uma “vaquinha” dos industriais, já que a administração se negava dialogar sobre o assunto.

Como o senhor imagina que será a relação com os servidores, após anos de gestões petistas?

A melhor possível. Fui servidor público de Mauá e conheço as necessidades da categoria. Durante a campanha recebemos apoio de boa parte do Sindserv e da Uniserv, os dois sindicatos da categoria em Mauá, e de muitos servidores públicos. Nosso compromisso é de diálogo permanente com a categoria. Discutiremos as principais reivindicações com toda a disposição de atendê-las. Nosso plano de governo, inclusive, destaca uma série de medidas de valorização dos funcionários públicos. Nosso governo terá o lema de que e um servidor valorizado é garantia de bons serviços ao povo. É isso que queremos para a população de Mauá.

O processo de transição já foi iniciado? Quais devem ser as principais dificuldades nesse processo?

Fizemos a primeira reunião para formalizar as equipes e viabilizar os nomes que estarão à frente das conversas. As informações começarão a ser repassadas pelo atual governo a partir do dia 21. Esperamos ter acesso às principais informações do governo, que dizem respeito a finanças e contratos com fornecedores.

Qual avaliação o senhor faz da campanha?

Fizemos uma campanha propositiva, embasada em propostas, em um plano de governo viável e construído com forte participação popular. Infelizmente, nós sofremos ataques baixos da velha política. Porém, o povo é inteligente e abraçou nossa campanha. O sentimento de mudança tomou conta da cidade. A população soube escolher o melhor caminho.

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