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Artigo – Arena política

Não é à toa que o embate eleitoral é frequentemente comparado a uma guerra. A origem do termo “campanha” remonta à era medieval, referindo-se aos campos onde exércitos se confrontavam. Com o passar dos séculos, esse confronto assumiu novas formas, mantendo-se presente no campo das ideias. Contudo, em situações extremas e locais específicos, a disputa política pode, infelizmente, culminar em violência real, onde o sangue é derramado.

As baixarias, caracterizadas por ataques pessoais e estratégias desleais, sempre permearam o cenário político. Golpes abaixo da linha da cintura, metaforicamente falando, tornaram-se mais proeminentes nas últimas duas décadas. Essa prática tem sido cada vez mais valorizada, principalmente com o advento das redes sociais, ofuscando a troca de ideias e o debate de propostas concretas e significativas que visem atender às reais necessidades e anseios da população.

À medida que nos aproximamos de mais uma eleição municipal, é evidente que este ciclo apresenta características únicas, influenciado pelos resquícios da pandemia que assolou o mundo e pela crescente polarização ideológica – ou seria mais apropriado dizer “burrológica” – que aflige nossa Nação. Assistimos a tentativas desajeitadas e até estapafúrdias de moldar a opinião pública local, visando ganhos eleitorais imediatos.

Os discursos políticos, curiosamente, têm se homogeneizado. A palavra “trabalho” ressoa como um mantra, embora, ironicamente, muitos cidadãos associem políticos à inércia ou ao mau uso dos recursos públicos. Esquerda e direita, de forma quase cômica, recorrem ao mesmo vocabulário, revelando uma surpreendente falta de criatividade até mesmo entre os considerados gênios do marketing político.

É peculiar observar políticos veteranos, com anos de experiência, demonstrando pouco conhecimento sobre a história e a realidade socioeconômica de suas cidades. Após as eleições, muitos parecem se isolar em suas bolhas, desconectados do dia a dia do município, emergindo apenas quando um novo ciclo eleitoral se aproxima.

Historicamente, mesmo nos momentos mais acirrados da política, as pesquisas indicam que o ato de votar não é prioridade para o cidadão comum. Prevalece o ceticismo; entra eleição, sai eleição, e a vida continua a mesma. Candidatos que conseguem quebrar esse estigma são exceções.

Em vez de esperar milagres de lâmpadas mágicas, é imperativo que os políticos ousem adotar abordagens inovadoras. O comprometimento com a transparência, o engajamento cívico e soluções autênticas pode reacender a confiança do público. A política precisa transcender o teatro do absurdo, adentrando uma era de ações pragmáticas e significativas em prol do coletivo.
Ao invés de ficarem esfregando lâmpada de Alladin é preciso que ousem

Donizetti de Souza – jornalista e articulista político

Donizetti de Souza. Foto: Divulgação
Donizetti de Souza. Foto: Divulgação
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