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Articulação de Michel Temer divide centrais sindicais e esvazia protestos

Segundo sindicato, 3 mil participaram de ato em São Bernardo. Foto: Edu Guimarães/SMABC/Fotos PúblicasArticulação do governo Michel Temer acirrou as disputas entre as principais centrais sindicais e esvaziou as manifestações programadas para sexta (30) contra as reformas trabalhista e previdenciária. Convidada a participar de negociações no Ministério do Trabalho, a Força Sindical convocou um ato separadamente da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Sob o argumento de que o ato organizado pela CUT na avenida Paulista se transformaria num movimento por eleições diretas, o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves (Juruna), convidou centrais para uma um protesto no centro de São Paulo.

Cerca de 300 pessoas participaram do ato. Presidente da central, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, que acaba de indicar o futuro secretário-executivo do Ministério do Trabalho, não foi.

Na chegada ao ato convocado pela CUT e por frentes de esquerda, o presidente da entidade, Vagner Freitas, lamentou a ausência da Força. “Não foi uma boa. Faz falta”, afirmou.

As centrais também levaram às ruas suas divergências sobre o texto das reformas. Em reunião com dirigentes de centrais, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, acenou com a edição de medida provisória que contrariará a decisão do Supremo que restringe a cobrança de contribuição assistencial aos trabalhadores filiados aos sindicatos.

Juruna diz que, durante reunião com Paulinho, o ministro propôs que o imposto sindical seja substituído pela contribuição assistencial, cujo valor é fixado em assembleia dos trabalhadores. Força e UGT defendem a redução gradual do imposto sindical e a legalização da contribuição assistencial, hoje restrita aos sindicalizados.

Protestos

Ao longo do dia, houve manifestações pontuais nas principais capitais, com bloqueio de vias e rodovias. Na capital paulista, o protesto convocado pela CUT e por movimentos sociais acabou em confronto entre black blocs e a PM na região da prefeitura da cidade. Também houve confronto no Rio entre manifestantes mascarados e a polícia.

Cerca de três mil pessoas, segundo os organizadores, par­ticiparam do ato contra as reformas realizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em conjunto com demais sindicatos da região e CUT-ABC em São Bernardo. A mobilização teve início às 9h30 em frente à sede da entidade. De lá os manifestantes seguiram em passeata até a Igreja Matriz.

Ao final da passeata, o presidente do Sindicato, Rafael Marques, ressaltou que todos que estavam ali tinham consciência da gravidade do momento vivido. “Conseguiram colocar no poder um gestor totalmente descompromissado com o projeto escolhido pelo povo nas urnas e estão aproveitando essa janela de oportunidade para acabar direitos da classe trabalhadora”, destacou.

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