Arte & Lazer, Cinema

Arte 1 exibe ‘Cria Cuervos’, clássico de Carlos Saura

Arte 1 exibe 'Cria Cuervos', clássico de Carlos Saura
Ana Torrent e Geraldine Chaplin, em cena de Cria Cuervos. Foto: Divulgação

Houve um tempo, pré-Pedro Almodóvar, em que Carlos Saura era sinônimo de cinema espanhol no Brasil. Por volta de 1960, os filmes com “cantantes” (Sara Montiel, Joselito, Marisol) arrebentavam nos cinemas brasileiros. No fim dos anos 1950, Pablito Calvo virara fenômeno com Marcelino, Pão e Vinho. No começo dos 1970, a preferência era por cinema mais autoral. Saura valia-se de metáforas para criticar o franquismo.

Nesta segunda (29), o Cineclube Arte 1 resgata um clássico do autor. Cria Cuervos, de 1976, passa às 23h45. Na época, uma canção de José Luís Perales virou hit internacional, Por Qué te Vas? – mais tarde regravada pela banda mineira Pato Fu. Saura usava a canção para ressignificar a morte da mãe da protagonista, Ana.

A menina coloca o disco na vitrola e dança com os irmãos. O tema é a infância, mas não a inocência. Ana responsabiliza o pai fardado pela morte da mãe e quer que ele morra. Saura constrói a personagem nos grandes olhos tristes da menina Ana Torrent, que já fizera O Espírito da Colmeia, de Victor Erice, de 1973, talvez o maior filme da história do cinema espanhol, mas essa é uma apreciação muito subjetiva.

Erice está na origem não apenas de Cria Cuervos como de O Labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro, já em 2006. Geraldine Chaplin, na época casada com Saura, faz Ana adulta e a mãe.

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