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‘Aposta kamikaze’, Doria funciona e fortalece Alckmin

A vitória acachapante de João Doria (PSDB) no primeiro turno da disputa pela Prefeitura de São Paulo amplia a projeção do governador Geraldo Alckmin como líder nacional do PSDB e acirra a disputa tácita que ele trava internamente com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pelo posto de presidenciável tucano nas eleições de 2018.

Alckmin bancou a candidatura de Doria a contragosto de praticamente toda a cúpula nacional do PSDB. O governador deu suporte ao seu afilhado político quando os principais caciques da sigla – Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aloysio Nunes e o próprio Aécio – torceram o nariz para ele.

A tática, classificada como “kamikaze” pelos colegas de partido, deu certo e, agora, o governador colhe o reconhecimento. “Foi uma vitória muito expressiva e o Alckmin teve uma parte preponderante nisso, pelo menos como ‘plataforma de lançamento’ do Doria”, diz o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

Aliados de Aécio Neves também reconhecem a projeção que Doria dará a Alckmin, mas minimizam o impacto dessa vitória sobre o quadro de 2018. “O PSDB como um todo saiu muito forte dessas eleições”, avalia o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), um dos principais interlocutores de Aécio. “A vitória do João Doria foi fantástica, mas é um erro que se comete muito frequentemente achar que a eleição municipal é uma prévia do que será a presidencial. A história mostra isso”, disse.

Apetite eleitoral

O governador desconversa, mas tem deixado evidente seu apetite pelas próximas eleições nacionais. “Eleição tem um componente de escolha e um componente de oportunidade”, disse Alckmin à reportagem em conversa na última sexta-feira (30), antevéspera da vitória de Doria.

Alckmin pregou uma reforma política que reduza o número de partidos do cenário nacional e delegou a missão ao presidente Michel Temer. O tucano defendeu ainda que o sistema de prévias, que foi adotado na disputa paulistana, seja uma regra na vida partidária. “Quanto mais você abre, menos você erra. Se o candidato não passar pela prévia, acabou. Essa disputa, em si, já é um teste da sua capacidade de agregar.”

A tese faz sentido, principalmente agora que Alckmin terá duas das máquinas estatais mais poderosas do país à sua disposição: o governo do Estado e a capital paulista.

Alckmin terá duas máquinas nas mãos: Estado e Capital. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

Na Grande S.Paulo, PT sai derrotado e ‘blocão’ de Alckmin ganha espaço

Atualmente com seis prefeituras na Grande São Paulo, o PT chegou ao segundo turno em apenas duas cidades: Santo André e Mauá. Conhecidos como “cinturão vermelho”, os municípios são o berço do movimento operário e do partido no país. A legenda, porém, já projetava derrotas na região.

O petista Carlos Grana confirmou as previsões do partido e seguirá disputando a reeleição em Santo André no segundo turno contra seu ex-secretário de obras, Paulo Serra (PSDB). Grana recebeu 20,28% dos votos, contra 35,85% do tucano. No ano passado, Serra deixou o governo e o PSD, do qual era presidente na cidade, para concorrer à eleição.

Em Mauá, o pleito continua entre Atila Jacomussi (PSB) e o atual prefeito, Donisete Braga (PT). Jacomussi recebeu 46,73% dos votos e Donisete, 22,9%.

O “blocão” formado por PSB, PPS, DEM e PV costurado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) ocupou o espaço do PT e saiu fortalecido das principais cidades da Grande São Paulo. Integrantes da base do prefeito eleito João Doria Jr. na capital, os cinco partidos ora venceram ora chegaram ao segundo turno nas maiores cidades da região.

Além de Santo André e Mauá, os candidatos do grupo vão ao segundo turno em Osasco, Guarulhos, São Caetano, Diadema, Carapicuíba, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes e em São Bernardo.

São Bernardo

Domicílio eleitoral de Lula e berço do Partido dos Trabalhadores, São Bernardo terá segundo turno entre Orlando Morando (PSDB), com 45,07% dos votos, e Alex Manente (PPS), com 28,41%. O ex-presidente participou de carreata nesta semana em apoio a Tarcisio Secoli, apoiado pelo atual prefeito Luiz Marinho. O petista ficou em terceiro lugar (22,57%).

Com 99,8% das urnas apuradas em Guarulhos, a disputa ficou entre Guti (PSB), votado por 34,55% dos eleitores, e Eli Corrêa Filho (DEM), por 22,37%. Elói Pietá, aposta do PT para o segundo turno, terminou com 19,32% dos votos. Ele governou a cidade entre 2001 e 2008, quando fez o sucessor Sebastião Almeida, atual prefeito da cidade também do PT.

Haverá segundo turno em Osasco, onde 99,74% dos votos já foram cheados. Jorge Lapas (PDT), eleito em 2012 pelo PT, recebeu 38,54% e disputará a permanência do cargo contra Rogério Lins (PTN), com 39,44%. A candidatura de Celso Giglio (PSDB) foi impugnada em setembro pela Lei da Ficha Limpa.

Em São Caetano, José Auricchio Jr. (PSDB) foi eleito com 34,34%. O atual prefeito, Paulo Pinheiro (PMDB), obteve 30,71% dos votos válidos.

Diadema também escolherá o futuros prefeito no próximo dia 30. Atual prefeito de, Lauro Michels (PV) recebeu 48,10% dos votos, e continua na disputa com Wagner Feitosa (PRB), que obteve 21,85% dos sufrágios.

Também venceram as eleições já no primeiro turno, os candidatos Mamoru Nakashima (PSDB), com 62,1% dos votos em Itaquaquecetuba, e Marcus Melo (PSDB), eleito por 64,34% dos moradores de Mogi das Cruzes.

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