Economia, Notícias

Após um ano de negociações, acordo da Boeing e Embraer cria duas empresas

Após um ano de negociações, acordo da Boeing e Embraer cria duas empresas
Embraer terá aviação civil vendida à gigante americana. Foto: Arquivo

Após um ano de tumultuada negociação, marcada por idas e vindas e sob forte influência política, a Boeing e a Embraer fecharam os termos da venda da área de aviação civil da empresa brasileira à gigante americana.

Será criada, pelo acerto que agora precisa do aval formal do governo brasileiro, nova empresa no valor de US$ 5,26 bi­lhões (R$ 20,5 bilhões).

Os norte-americanos paga­rão aos brasileiros US$ 4,2 bi­lhões (R$ 16,4 bilhões), cerca de US$ 400 milhões acima do previsto inicialmente, para ter 80% do controle da nova empresa.

Em julho, a Boeing havia divulgado que o valor total do negócio seria de US$ 4,75 bi­lhões (R$ 18,5 bilhões).

O valor havia sido considerado baixo por alguns analistas, mas a reavaliação está mais relacionada com a identificação de custos maiores para a “cirurgia de separação” da aviação civil da fabricante brasileira.

Estima-se que, ao final do processo, a “velha” Embraer em­bolsará algo como US$ 3 bi­lhões (R$ 11,7 bilhões).

Também será criada joint venture para a venda do único produto militar que ficará fora do fatiamento da Embraer, o cargueiro multimissão c A aeronave mira um mercado potencial de mais de 700 modelos antigos, a maioria composta por C-130 Hércules.

O Brasil assinou contrato de R$ 7,2 bilhões para receber 28 aparelhos. Esse negócio permanecerá nas mãos da “velha” Embraer, assim como a gerência de projetos estratégicos, como a parceria para montagem dos novos caças da Força Aérea Brasileira (FAB), os suecos Gripen.

A Boeing precisou aproximar-se da Embraer porque não possuía aviões regionais, menores, de 70 a 130 lugares. A Airbus tinha o mesmo problema e o resolveu comprando o controle da família C-Series, da canadense Bombardier, adversária histórica da Embraer.

TRANSFERÊNCIAS

O acordo entre Embraer e Boeing não prevê, em um primeiro momento, a transferência de operações do Brasil para os Estados Unidos. Pelo entendimento, a Embraer terá poder de veto em decisões sobre o assunto no futuro.

A fábrica da companhia em São José dos Campos (SP), onde será feita a maior parte dos aviões comerciais, ficará com a nova joint-veiture, que vem sendo chamada internamente de “NewCo” (“nova companhia” na abreviação inglesa).

As linhas de jatos executivos, que hoje estão em São José, devem ser transferidas para Gavião Peixoto (SP). A companhia ainda não sabe quantos engenheiros e funcionários migrarão para a NewCo e quantos ficarão com a Embraer.

GOLDEN SHARE

Embora a fabricante brasileira tenha sido privatizada em 1994, o governo detém uma “golden share”, ação especial que lhe permite vetar quaisquer negócios em seu Conselho de Administração. Quando emergiu o começo da negociação entre as duas empresas, a reação inicial do presidente Michel Temer (MDB) foi de recusar “a venda da Embraer”. Isso acabou levando as partes para a mesa de negociações, e o Planalto se diz satisfeito com o acerto – que terá 30 dias para ser analisado a partir da entrega da documentação à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e à Secretaria de Economia e Finanças da Força Aérea.

Um grupo de trabalho foi formado em janeiro, e as acomodações foram ocorrendo. Ao longo do ano, autoridades brasileiras deram aval à negociação de forma paulatina, e hoje os óbices ao negócio desapareceram com as concessões feitas de lado a lado – os americanos, por exemplo, queriam comprar toda a Embraer, inclusive a parte de defesa, o que não foi aceito pelos militares. O conselho da nova empresa ficará sediado no Brasil.

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), já indicou ser a favor do negócio, que poderá ser assinado já sob sua gestão, em janeiro.

 

Print Friendly, PDF & Email

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*