Economia, Notícias

Após prejuízos, LG encerra produção de celulares

Trabalhadores temem pelo futuro da fábrica da LG em Taubaté. Foto: Reprodução Facebook
Trabalhadores temem pelo futuro da fábrica da LG em Taubaté. Foto: Reprodução Facebook

Terceira maior fabricante de smartphones do Brasil, a sul-coreana LG anunciou ontem (5) que vai abandonar a produção de celulares em todo o mundo, alegando prejuízos acumulados de US$ 4,1 bilhões ao longo de quase seis anos. A notícia já era esperada pelo mercado, que aguarda o anúncio da decisão da empresa desde janeiro.

“Depois de avaliar todas as possibilidades para o futuro de nosso negócio de celulares, o headquarter (matriz) global decidiu fechar esta divisão, a fim de fortalecer sua competitividade futura por meio de seleção e foco estratégico”, disse a LG Brasil em nota à imprensa.

Desde o fim do ano passado, rumores davam conta de que a companhia pretendia vender a divisão de celulares, o que não se concretizou. A empresa, porém, continuará nos segmentos de TVs e monitores, produtos de áudio, eletrodomésticos e soluções telas corporativas.

Apesar de ter saído do radar de muitos consumidores, a empresa ainda tinha importância no mercado brasileiro. Segundo o Estadão apurou com fontes do mercado, a marca ampliou a fatia no mercado de smartphones no país e totali­zou 12% em 2020, atrás de Samsung e Motorola.

As fontes esperam que ou­tros participantes abocanhem a fatia da LG e cresçam em participação neste ano, sem haver redução do mercado. Marcas menores, como Asus, TCL e Positivo, podem se be­ne­ficiar nesse movimento.

Como consequência da desistência da LG, toda a linha de lançamentos de novos smartphones da casa, incluindo o modelo dobrável LG Rollable, mostrado em janeiro durante a feira CES, deve ser interrompida e não chegará às prateleiras. Ou­tros negócios mundiais, como baterias e componentes automotivos, deverão ser o foco e devem absorver os trabalhadores da divisão de smartphones pa­ra que não sejam demitidos.

No Brasil, o cenário é incerto. Produtora de monitores e celulares, a fábrica da LG no país, situada em Taubaté (SP), abriga cerca de mil funcionários, dos quais 400 na produção que está sendo encerrada, segundo o Sin­dicato dos Metalúrgicos de Tau­baté e Região (Sindmetau).

O sindicato tem reunião marcada com a LG para hoje.

CONSUMIDOR

O Procon-SP também pediu explicações. O órgão quer que a LG preste esclarecimentos sobre o encerramento da operação e sobre o impacto de sua saída sobre garantia e assistência técnica aos consumidores que já têm celulares da LG. A empresa tem até 9 de abril para responder.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*