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Após paralisação de caminhoneiros, indústrias preveem prejuízos e maior carga tributária

A paralisação dos caminhoneiros vai ser um baque na lenta recuperação da indústria, segundo avaliam federações nos estados. Em Minas Gerais, o prejuízo imediato foi estimado em R$ 2,47 bilhões entre 22 e 31 de maio.

Na segunda semana de paralisação, 80% das indústrias ficaram sem funcionar, de acordo com a Fiemg. No Paraná, a Fiep estima perdas de R$ 3 bilhões para o setor industrial.

Já a Firjan, no Rio, divulgou uma pesquisa com 318 empresas que mostra redução de 44% na produção durante a paralisação. Nos primeiros cinco dias, a perda foi de R$ 77 milhões no PIB (Produto Interno Bruto) da indústria de transformação do estado.

Em Minas, os setores mais afetados foram o de alimentos e bebidas e veículos automotores. Já no Rio, o impacto foi maior entre os produtores de minerais não metálicos e de moda. Segundo as federações, o tempo para retomada na produção é de cerca de 15 dias.

O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, avalia que o movimento dos caminhoneiros contra o aumento do preço de combustíveis vai afetar principalmente as micro, pequenas e médias empresas -que são 90% das indústrias do Paraná. Com menor fluxo de caixa, essas empresas podem ter dificuldades em pagar funcionários e fornecedores.

Além da queda na produção, a paralisação trouxe aumento da carga tributária de forma permanente para a indústria, de acordo com representantes das federações. Guilherme Mercês, economista-chefe da Firjan, afirma que a carga tributária cresceu de 44,8% para 46% do PIB da indústria de transformação.

“A redução do preço do diesel vai até dezembro, mas isso resultou num aumento de carga tributária para a sociedade de forma permanente”, diz.

Para compensar a perda de arrecadação com a isenção da Cide e do PIS/Cofins sobre o diesel, o governo reonerou a folha de pagamento de setores da economia. Segundo a Fiemg, 2,7 milhões de empregados da indústria de transformação serão afetados pela medida.

Outra consequência, mencionam os industriais, é a redução de incentivos para a indústria exportadora. O crédito de PIS/Cofins previsto no programa Reintegra baixou de 2% para 0,1%.

O resultado, dizem, é perda de competitividade e redução da capacidade de gerar emprego e renda. Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, afirma que o setor que pagou a conta dos caminhoneiros foi a indústria.

“Enquanto esses movimentos forem de um grupo contra o outro, você vai simplesmente tirar a conta de um grupo e passar para outro grupo. Foi o que aconteceu”, afirma.

“Vai se criar um círculo de chantagem econômica. Os setores com maior condição de fazer pressão no governo obterão maiores benesses, deixando a conta cada vez maior pra um grupo menor de setores”, completou.

Ainda de acordo com Roscoe, o impacto do movimento dos caminhoneiros a médio e longo prazo será ainda maior, devido à perda de confiança do investidor. Para ele, a questão é como tornar o governo menor e mais produtivo.

“O que está na origem desse problema é que a sociedade não aguenta mais pagar tributo e não tem contraprestação de serviços. […] A insatisfação das pessoas, a adesão à greve era uma adesão contra o sistema, e não aos caminhoneiros. Foi um grito de revolta, uma catarse da sociedade”, afirma.

Na Fiemg, a previsão é que a paralisação aprofunde as projeções de queda da indústria mineira. Entre março e abril, o faturamento real do setor caiu 2,7%. A projeção do PIB mineiro para 2018, que era de crescimento de 2,6%, foi reajustada para um aumento de apenas 1,2%.

O cenário leva em conta não só a paralisação de caminhoneiros, mas a situação da mineração no estado: sem a retomada da Samarco e com interrupção da produção da Anglo American, nos dois casos devido a desastres ambientais, e a migração da indústria para o Pará.

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