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Após minimizar pandemia, Bolsonaro contrai covid-19

Após minimizar pandemia, Bolsonaro contrai covid-19
Em vídeo, Bolsonaro toma hidroxicloroquina: “eu confio, e você?”. Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) informou nesta terça-feira (7) que contraiu a covid-19. Divulgado pelo Planalto, o exame foi feito na segunda, sem usar codinome para identificação do laudo, ao contrário de outras três vezes em que o presidente recorreu a pseudônimos na hora da coleta. O resultado positivo ganhou repercussão internacional e obrigou a cúpula do governo a também fazer testes.

Ao menos 13 ministros que se encontraram com o presidente ao longo dos últimos dias fizeram exames de covid-19, entre eles Paulo Guedes (Economia), Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Jorge Oliveira (Secretaria Geral), André Mendonça (Justiça), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Roberto Campos Neto (Banco Central).

Nos últimos dias, Bolsonaro teve contato com pelo menos 55 pessoas, entre políticos, empresários e autoridades. Em alguns desses encontros, o presidente não usou máscaras e apertou as mãos ou abraçou alguns dos seus interlocutores. Desde o início da pandemia, mais de 1,6 milhão de brasileiros foram infectados pelo novo coronavírus. O total de mortos já ultrapassa 66,7 mil.

Em entrevista a jornalistas de TV no Palácio da Alvorada, o presidente afirmou que já iniciou o tratamento com hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Bolsonaro tem 65 anos e faz parte do grupo de risco da doença, mas disse que não sofre com os sintomas mais graves por causa do uso precoce do medicamento. “Então, eu confio na hidroxicloroquina, e você?”, disse, em vídeo divulgado nas redes sociais. O presidente tem minimizado os riscos da doença, que já chamou de “gripezinha”, disse que não teria problemas por ter “histórico de atleta” e classificou a pandemia de “histeria”.

Bolsonaro cancelou os compromissos previstos para os próximos 15 dias, mas pretende continuar trabalhando da residência oficial. “Vou despachar por videoconferência e assinar alguns papéis aqui.”

Ao anunciar a jornalistas que foi infectado pela covid-19, o presidente chegou a tirar a máscara no fim da entrevista. “Estou bem, graças a Deus. Os que criticaram também, não tem problema, podem continuar criticando à vontade.”

Na segunda-feira, mesmo após ter feito o exame, Bolsonaro chegou a se aproximar de apoiadores e tirar fotos, contrariando as recomendações de distanciamento social da OMS.

SINTOMAS

Os primeiros sintomas da doença, de acordo com o relato do presidente, começaram ainda no domingo. No sábado, Bolsonaro foi a Santa Catarina sobrevoar área atingidas por um ciclone e se encontrou com autoridades locais. No mesmo dia, esteve na residência do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, com ministros e com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República. Bolsonaro não usou máscara e se confraternizou com abraços, de acordo com imagens divulgadas pelo Palácio do Planalto.

“Começou domingo com certa indisposição e se agravou durante o dia de segunda-feira com mal-estar, cansaço, um pouco de dor muscular, e a febre no final da tarde chegou a bater 38º (Celsius). Daí, com o médico da Presidência e com os sintomas apontando para a covid-19, fomos fazer uma tomografia no Hospital das Forças Armadas”, afirmou.

Na segunda, Bolsonaro já havia feito exame dos pulmões, no Hospital das Forças Armadas, e disse a apoiadores que estava “tudo limpo”. O período de incubação do novo coronavírus varia de dois a 14 dias, mas é mais comum que os sintomas se manifestem entre o quinto e o sétimo dia após a infecção, segundo estudos mais recentes.

Procurado, o Planalto não se manifestou sobre o motivo de o chefe do Executivo ter deixado de usar codinomes desta vez ao fazer exame.

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