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Após forte tombo em 2020, mercado imobiliário do ABC dá sinais de recuperação

Mercado imobiliário do ABC dá sinais de recuperação após forte tombo em 2020
Vendas e número de lançamentos reagiram no primeiro trimestre, revela pesquisa da ACIGABC

Depois do forte tombo de 27,2% nas vendas e de 59,5% no total de lançamentos em 2020, o mercado imobi­liá­rio do ABC dá sinais de rea­ção nes­te ano, mas o re­cru­des­cimento da pandemia de covid-19 e a alta nos pre­ços dos in­su­mos podem frustrar a re­­to­ma­da esperada pelo setor.

Pesquisa divulgada na última quinta-feira (29) pela Asso­ciação de Cons­­tru­to­ras, Imobi­li­á­rias e Ad­mi­nis­tra­­do­ras do ABC (ACIGABC) revela que, no primeiro trimestre, foram lançados 426 imóveis re­sidenciais novos no ABC, volu­me 73,9% superior ao apurado no mes­mo período do ano passa­­do (245), quando a pandemia ain­da não havia chegado ao Brasil.

Na mesma comparação, as vendas de imóveis novos caí­ram 22%, para 580 unidades, mas cresceram 66,2% ante o último trimestre de 2020, mes­mo com o fechamento dos es­tandes de vendas durante praticamente todo o mês de mar­ço, em função das restrições impostas pelo Plano São Paulo de enfrentamento à pandemia.

O presidente da ACIG­ABC, Milton Bigucci Júnior, afirmou que, a despeito do impac­to da crise sanitária sobre a atividade econômica, o desempenho do setor na região tem surpreendido positivamente. Prova disso é que, em 2020, as vendas se si­tuaram em pa­tamar superior ao de 2019 (veja gráfico acima) e a perspectiva é positiva para este ano.

“As baixas taxas de juros, a demanda reprimida e o ‘fique em casa’ ajudaram muito na retomada do setor”, afirmou Bigucci Júnior, durante en­trevista coletiva concedida por meio de videoconferência.

A queda mais acentuada no número de lançamentos do que nas ven­das fez cair o estoque de imóveis novos (prontos, na planta ou em construção) no ABC, de 2.176 uni­dades em dezembro de 2019 para 1.047 no final do ano passado e 914 em março – patamar mais bai­xo da história da pesquisa.

“A forte queda nos estoques e o otimismo do mercado, que vislumbra melhora nas vendas nos próximos trimestres, levou as incorporadoras a retomar lançamentos que estavam na gaveta”, disse Bigucci Júnior.

INSUMOS

O presidente da ACIG­ABC disse que o novo ciclo de aper­to monetário – iniciado em março com a primeira alta da taxa Selic em quase seis anos – não preocupa, uma vez que os juros estão em um patamar historicamente baixo. Porém, sinalizou apreensão com os pre­ços dos materiais de cons­trução, que acumulam alta de 12,82% nos 12 meses encerrados em abril, segundo o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Esses aumentos, que em alguns casos avaliamos como abusivos, estão pressionando o preço dos imóveis, principalmente na faixa econômica até R$ 230 mil, enquadrada no programa fe­­deral (Casa Verde e Amarela). Muitas empresas estão adiando lançamentos nessa faixa de preço esperando a revisão do teto”, dis­se o presidente da ACIGABC.

Tam­bém deve puxar o aumento nos preços dos imó­veis, segundo Bigucci Júnior, a demanda crescente por mais itens agregados, como ponto de recarga para veículos elétricos ou híbridos, espaço deli­very e local para home office.

O presidente da ACIGABC destacou que, no corte por municípios, Santo André ultrapassou São Bernardo no número de lançamentos. Para o dirigente, a mudança reflete, provavelmente, maior velocidade na aprovação de projetos e vantagens existentes na legislação andreense.

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