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Após dois meses, trabalhador volta a conquistar reajuste acima da inflação

Após dois meses, trabalhador volta a conquistar reajuste acima da inflação
Bancários do ABC aprovam reajuste: conquista da categoria vira referência. Foto: Reprodução/SBABC

Após dois meses sem reajuste acima da inflação, o trabalhador voltou a conquistar ganho real nas negociações coletivas de setembro, apontam dados do Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

No mês passado, os trabalhadores obtiveram reajuste nominal mediano de 4%, o maior desde julho de 2017. Porém, com a inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulada de 3,6% em 12 meses, o aumento real foi de 0,4%.

Segundo Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e coordenador do Salariômetro, o fato de a data-base dos bancários ocorrer em setembro ajudou a puxar o indicador. Os funcionários de bancos públicos e privados de todo o país obtiveram reajuste salarial nominal de 5%.

“O sindicato dos bancários é uma entidade forte, e o que conseguem acaba sendo como uma espécie de referência”, disse Zylberstajn.

A pesquisa mostra que o fluxo de negociações concluídas em 2018 continua crescendo, mas ainda é menor que em 2017 (-28,6%). Até setembro, foram fechadas 18.439 negociações salariais, ante 25.823 no mesmo período do ano passado.

Muitas dessas negociações incluem cláusulas para contribuição negocial. Segundo o levantamento, foram negociadas 10.784 contribuições para sindicatos de trabalhadores. Dessas, 4,4% são pagas total ou parcialmente pelas empresas.

“Isso é curioso, porque o sindicato é dos trabalhadores. É estranho a empresa pagar a contribuição do seu empregado. Nosso sistema acaba produzindo esse tipo de desvio”, disse Zylberstajn.

Ainda sobre contribuições, mas dessa vez entre patrões, o estudo destaca que 73,3% das contribuições para sindicatos de empresas não dão direito de oposição – isto é, de o representado se manifestar contra o recolhimento. “A relação do sindicato patronal com as empresas é, em tese, mais próxima, porque é um universo menor de representação do que entre trabalhadores”, disse Zylberstajn.

O professor observa ainda que a mediana do vale-refeição mensal no ano está em R$ 454, o equivalente a 48% do salário mínimo. “É um benefício significativo. Embora não seja obrigatório, existe incentivo fiscal para que a empresa ofereça, porque pode deduzir parte do que gasta com alimentação do Imposto de Renda”, afirmou.

 

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