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Após dois meses seguidos de deflação, IPCA tem aumento de 0,26% em junho

Após dois meses seguidos de deflação, IPCA tem aumento de 0,26% em junho
Aumento nos preços da gasolina pressionou a inflação oficial do país em junho. Foto: Helena Pontes/Agência IBGE

Após dois meses consecutivos de deflação, os preços no país voltaram a subir e registra­ram alta de 0,26% em junho, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), publicado ontem (10) pelo Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística (IBGE).

A alta registrada em ju­­nho foi a mais elevada desde de­zembro passado, quando o IPCA havia marcado 1,15%.

A taxa foi influenciada pe­lo aumento nos preços dos combustíveis, após reduções registradas entre fevereiro e maio. A maior influência veio da gasolina, que teve o maior impacto individual (de 0,14 ponto porcentual no índice ge­ral), com alta de 3,24%.

Após as duas quedas consecutivas (de 0,31% e 0,38% em abril e maio, respectivamen­te) e com o aumento de ju­nho, o IPCA acumula alta de 0,10% no primeiro semestre e de 2,13% em 12 meses.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete apresentaram alta em junho. Transportes deu a segunda maior contribuição (0,06 ponto porcentual), com alta de 0,31% nos preços, após quatro meses consecutivos de queda.

“A alta nos preços dos combustíveis chegou nas bombas e impactou o consu­midor final. Isso alterou o gru­po Transpor­tes e influenciou no resultado geral do IPCA”, disse Pedro Kislanov, gerente da pesquisa.
Etanol (5,74%), gás vei­cular (1,01%) e óleo diesel (0,04%) também tiveram al­tas em junho, levando o pre­ço dos combustíveis a subir 3,37%, frente à variação de -4,56% registrada em maio.

Ainda dentro do grupo Trans­portes, destaque para as passagens aéreas (queda de 26,01%), que apresentaram variação similar à observada em maio (-27,14%) e contri­buíram com o maior impacto individual negativo no IPCA de junho (-0,11 ponto porcentual).

Além disso, o item transporte por aplicativo registrou queda de 13,95% após alta de 5,01% em maio. O resultado do subitem metrô (+1,43%) refletiu o reajuste de 8,70% nas passagens no Rio, vigente desde 11 de junho, enquanto a queda no subitem táxi (-0,35%) decorreu do cance­lamento, em 22 de maio, do reajuste ocorrido na Capital fluminense.

ALIMENTOS SOBEM

O grupo com maior impac­to no resultado geral do IPCA de junho foi Alimentação e bebidas (0,38%), que aumentou em relação ao resultado de maio (0,24%). Este conjunto de itens, no entanto, já vinha de sequência de alta, em parte ligada à demanda elevada durante a pandemia do covid-19.

“As medidas de isolamento social, que fizeram as pessoas cozinharem mais em casa, ai­n­da estão em vigor em boa parte do país. Isso gera efeito de demanda e mantém os preços em patamar mais ele­vado”, explicou Kislanov.

Um exemplo é o item alimentos para consumo no domicílio, que passou de 0,33% em maio para 0,45% em junho, influenciado principalmente pela alta nos preços das carnes (1,19%) e do leite longa vida (2,33%).

Outros itens importantes na cesta de consumo das famílias, como arroz (2,74%), feijão-carioca (4,96%) e queijo (2,48%) também registraram alta. No sentido contrário, houve quedas nos preços do tomate (-15,04%) e da cenoura (-8,88%), cujos preços já haviam recuado em maio (-7,34% e -14,95%, respectivamente).

O grupo Saúde e cuidados pessoais (0,35%) também apresentou alta relevante para o IPCA de junho. No lado das quedas, destaca-se a variação do grupo Vestuário (-0,46%), que contribuiu com -0,02 ponto porcentual no índice de junho.

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