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Após cinco meses, taxa de desemprego volta a subir na região em novembro, para 16%

Para Andaku, mercado de trabalho da região só vai se recuperar em 2018. Foto: Divulgação

Após cinco meses consecutivos de retração, a ta­xa de desemprego do ABC voltou a subir em novembro para 16%, contra 15,5% em outubro. Trata-se do pior resultado para o mês desde 2004 (17,8%).

A alta surpreendeu nega­tivamente os técnicos do Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que divulgaram ontem (21) a Pes­quisa de Emprego e Desemprego (PED) na sede do Consórcio Intermunicipal.

Um dos motivos para a surpresa está no fato de que, ao contrário do que ocor­reu no ABC, a taxa caiu nos demais domínios geográficos acompanhados pela PED. Na Capital, por exemplo, houve queda de 16,6% para 16% na mesma comparação.

Além disso, historicamente, novembro marca o início das contratações temporárias no comércio para as festas de fim de ano, o que tende a reduzir a taxa de desemprego juntamente com a saída de pessoas da força de trabalho. Porém, o movimento pode não se repetir este ano devido à crise, que reduz a demanda no varejo e, por consequência, a necessidade de reforço de mão de obra.

Em novembro foram fechadas 18 mil vagas no ABC (queda de 1,5% no estoque). Paralelamente, 13 mil pessoas deixaram a força de trabalho, porque desistiram de procurar ocupação. Como resultado, o contingente de desempregados aumentou pa­ra 227 mil pessoas, cinco mil a mais do que em outubro.

O comércio até ajudou, absorvendo 2 mil trabalhadores em novembro, mas a alta tímida não foi seguida pelas demais atividades econômicas. Os serviços, por exemplo, fecharam 16 mil vagas no ABC e “devolveram” as 14 mil abertas em outubro.

Na indústria metalmecânica foram fechadas 7 mil vagas, que elevam para 70 mil o número de postos de trabalho extintos nos últimos dois anos no setor e renovam o patamar mais baixo de ocupação da série histórica da PED.

“Dificilmente a indústria metalmecânica vai retomar o patamar de ocupação, porque não é só um movimento de restruturação tecnológica. Há fechamento de empresas e de empregos”, comentou o economista César Andaku, do Dieese.

Micropacote

Ao comentar o chamado micropacote anunciado na semana passada pelo presidente Michel Temer para estimular a economia, Andaku afirmou que, de modo geral, as medidas não terão resultado no curto prazo, ou seja, não são a saída para a crise.

“Há boas intenções, como a redução do spred (diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram ao conceder um empréstimo), mas o governo não ataca o principal, que é gerar demanda por meio do aumento do emprego e da renda”, disse.

Mesmo com a aguardada retomada da economia no próximo ano, Andaku vislumbra a recuperação do mercado de trabalho do ABC somente a partir de 2018. “A taxa de desemprego pode até cair, mas esse movimento dependerá das flutuações de gente entrando e saindo do mercado”, comentou.

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