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Após bate-boca, votação no Senado é adiada para hoje

Após bate-boca, votação no Senado é adiada para hoje
Katia Abreu tirou da Mesa a pasta com o roteiro da sessão. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Por falta de acordo diante do impasse criado no Senado sobre uma votação aberta ou secreta para a eleição do presidente da Casa, o plenário decidiu adiar para as 11h de hoje (2) o pleito interno. Marcada por tumultos, discussões e xingamentos, a sessão se arrastou sem que houvesse um entendimento entre os defensores do voto aberto (os novatos majoritariamente) e os do voto secreto.

Pré-candidato a presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que comandou a sessão porque é remanescente da Mesa Diretora passada, colocou em votação uma questão de ordem, aprovada por 50 votos favoráveis x 2 contrários, que determinava a votação nominal. Foi o estopim para os protestos, principalmente, de senadores mais experientes e dos aliados de Renan Ca­lheiros (MDB-AL), que tentará disputar a eleição contra os interesses do governo Jair Bolsonaro. Renan entende que, às claras, será prejudicado por causa de pressões do Planalto sobre os senadores.

Já Alcolumbre, cujo desejo de presidir o Senado encontra respaldo no governo, era questionado por estar definindo as regras da eleição que disputará. Ele estava em campanha e pedia votos aos senadores, embora ainda não tivesse anunciado publicamente que seria candidato – uma estratégia para evitar os questionamentos, que, no fim, vieram.

A senadora Katia Abreu (MDB-TO) tirou da Mesa a pasta com o roteiro de condução da sessão. “Por favor, me devolva a pasta, senadora”, pediu Alcolumbre. “Não devolvo. Vem tomar. Você não pode estar aí”, respondeu a senadora.

O MDB queria ver na presidência da sessão o senador mais idoso, José Maranhão (MDB-PB). Os aliados de Ca­lheiros, argumentaram que Alcolumbre não tem isenção para comendar a reunião. Após proclamado o resultado da votação, Calheiros e Katia Abreu sentaram-se nas cadeiras ao lado de Alcolumbre, na Mesa do Senado. A sessão chegou a ser interrompida, mas foi retomada sob impasse.

VOTAÇÃO ABERTA?

Hoje, os senadores terão de definir novamente se mantém a votação aberta – como decidido por 53 senadores dos 81 (parte deles se recusou a votar por não reconhecer Alcolumbre como legítimo). O senador Cid Gomes (PDT-CE) propôs que o método não seja mais questionado, mas não é certo que a votação aberta será mantida.

A expectativa é que na retomada da sessão os partidos confirmem primeiro as candidaturas a presidente. Em seguida, José Maranhão assumirá o controle da Comissão Diretora para proceder à eleição.

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