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Após análise de satélites, PF diz que navio grego é principal suspeito por óleo

Após  rastreamento por satélites, a Procuradoria da República no Rio Grande do Norte e a Polícia Federal apontam que um navio de bandeira grega carregado de petróleo venezuelano, o NM Bouboulina, é agora o principal suspeito de ser a fonte do óleo que tem aparecido em várias praias nordestinas desde o início de setembro. Para obter mais provas, a PF deflagrou ontem a Operação Mácula, mirando empresas que estariam ligadas ao petroleiro no Brasil. A dona do navio diz que “não foi procurada” pelas autoridades brasileiras.

A representação do MPF do Rio Grande do Norte, assinada pelos procuradores Victor Manoel Mariz e Cibele Benevides Guedes da Fonseca, diz que há “fortes indícios” de que a Delta Tankers, o comandante do navio mercante e a tripulação deixaram de informar às autoridades acerca do derramamento de petróleo cru no Atlântico.

De acordo com nota conjunta divulgada pelo Ministério da Defesa, pela Marinha e pela Polícia Federal, por meio de geointeligência, identificou-se uma imagem de satélite do dia 29 de julho relacionada a uma mancha de óleo a 733,2 km (cerca de 395 milhas náuticas) a leste do Estado da Paraíba. Segundo os órgãos, essa imagem foi comparada com imagens de datas anteriores, sem as manchas.

Houve ainda a colaboração de uma empresa privada, a HEX, com sede em Brasília. Segundo relatório técnico da HEX, só o navio Bouboulina passava por aquele ponto na data anterior à constatação do vazamento. A presença de um navio fantasma, uma das hipóteses anteriores, estaria descartada. “Não existe margem de erro. Somente uma embarcação atravessou o polígono da mancha naquela data”, afirmou o presidente da empresa, Leonardo Barros.

A HEX identificou uma mancha de óleo de 200 quilômetros de extensão na origem do vazamento. A empresa teria sido procurada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para repassar dados para a PF. O estudo foi feito com imagens e dados de satélites das agências espaciais americana (Nasa) e europeia (ESA) e da Airbus.

INTENCIONAL

Não é possível dizer se o vazamento foi intencional ou acidental. “Apesar de já ser possível falar sobre materialidade, autoria e circunstâncias de crime, ainda restam dúvidas sobre as circunstâncias, não sendo possível afirmar categoricamente se tal crime foi doloso ou culposo, se houve motivação, assunção de risco, negligência, imprudência ou imperícia, conclusões que poderão ser alcançadas no decorrer das investigações ora requeridas e de outras possíveis já na fase ostensiva da apuração”, dizem os procuradores na ação. Mais de 100 megabytes de informações foram apreendidos durante as diligências de ontem nas empresas Lachmann e Witt O Brien.

Segundo a Marinha, o Bouboulina ficou detido nos EUA por quatro dias, por “incorreções de procedimentos operacionais no sistema de separação de água e óleo para descarga no mar”. Já a Polícia Federal informou que o petroleiro atracou na Venezuela em 15 de julho, onde permaneceu por três dias. Depois seguiu rumo a Cingapura, pelo Atlântico, tendo aportado na África do Sul.

Procuradas, a Lachmann afirmou  que não é alvo da investigação, ao passo que a Witt O Brien’s alegou que “jamais” teve como cliente a empresa Delta Tankers, dona do Bouboulina. Segundo o delegado Agostinho Cascardo, um dos responsáveis pela investigação no Rio Grande do Norte, as empresas não são suspeitas em princípio, mas poderiam ter arquivos, e dados úteis.

“Nem a Delta Tankers nem o navio foram contactados pelas autoridades brasileiras em relação à investigação”, disse a dona do petroleiro em comunicado. O diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, afirmou que todos os envolvidos foram procurados e foi pedido auxílio nas investigações aos governos da Grécia, da Venezuela, da Nigéria, de Cingapura e da África do Sul.

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