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Após achar pistas no esgoto, polícia faz ação contra PCC

Após achar pistas no esgoto, polícia faz ação contra PCC
Presos destruíam os bilhetes e descartavam na privada. foto: Avener Prado/Folhapress

Após investigação com origem em bilhetes interceptados na rede de esgoto de uma penitenciária, a Polícia de São Paulo fez nesta quinta-feira (14) uma de suas maiores ações nacionais contra a facção criminosa PCC, para cumprir 75 ordens de prisão em 14 estados do país. Parte dos criminosos, segundo a polícia e a Promotoria, integra o segundo escalão do Primeiro Comando da Capital, responsável por ordens de ataques como os que ocorreram em dezenas de cidades de Minas Gerais nas últimas semanas – deixando ao menos 70 ônibus incendiados.

Das 75 ordens de prisão, 63 foram cumpridas – mas 51 dos alvos já estavam detidos, parte por outros crimes. Na prática, 12 suspeitos que estavam nas ruas foram ontem para a cadeia. “A nossa intenção, com a operação, é desarticular o crescimento do PCC não só aqui em São Paulo, mas também em outros estados”, disse o promotor Lincoln Gakiya.

Segundo a cúpula da segurança pública de São Paulo, a investigação vinha sendo feita havia mais de um ano. A operação, batizada de Echelon (do grego escalão), tem origem na operação Ethos, de novembro de 2016, quando a Secretaria da Administração Penitenciária monitorou a forma de comunicação de chefes do PCC presos no presídio de segurança máxima de Presidente Ven­ceslau, no interior.

Os agentes descobriram que a cúpula da facção repassava ordens ao restante da quadrilha por meio de bi­lhetes codificados. Os papéis eram, porém, destruídos e descartados em privadas quando a direção do presídio realizava buscas nas celas. O secretário Lourival Gomes (Administração Penitenciária) diz que os agentes da penitenciária simularam uma pane hidráulica para instalar redes no sistema de esgoto. Após a instalação da armadilha, novas vistorias foram simuladas, e as redes funcionaram.

Os manuscritos, após apreendidos e higienizados, foram remontados por cores de canetas e caligrafias. Sete chefes do segundo escalão do PCC foram identificados como os autores dos bilhetes. A polícia suspeita que esse grupo seja responsável pela disputa com outras facções pelo país, que já resultou em mais de cem mortes. Parte da operação tem provas sobre 12 homicídios.

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