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Após 23 meses e 50 mil vagas fechadas, indústrias da região voltam a contratar

As indústrias do ABC voltaram a registrar, em janeiro, saldo positivo entre contratações e demissões após 23 meses, período em que o parque fabril da região acumulou fechamen­to de quase 50 mil vagas.
As fábricas instaladas nos sete municípios geraram 150 postos de trabalho em janeiro, segundo pesquisa divulgada ontem (16) pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). O saldo não empolga, é verdade, mas interrompe a “sangria” que se arrasta­va de forma contínua desde fevereiro de 2015.

A crise que acomete a indústria do ABC aprofundou-se nos últimos dois anos, mas teve início em 2012 e, desde então, o parque fabril da região eliminou 90 mil empregos. Porém, o setor tem dado si­nais de que, finalmente, chegou ao “fundo do poço” e de que pode, nos próximos meses, iniciar caminho de recuperação.

O setor automotivo, do qual o parque fabril regional é fortemente dependente, acelerou a produção em janeiro, ainda que as vendas no mesmo mês não tenham correspondido às expectativas.

Porém, a ociosidade superior a 50% segue pressionando a ocupação nas montadoras, a ponto de a General Motors ter anunciado, recentemente, a extensão por dois meses do lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) de 750 funcionários em São Caetano.

Nesse contexto, a pesquisa das entidades constatou o fechamento de vagas em apenas oito dos 22 subsetores analisados, com espalhamento de 36,4%, inferior ao apurado nos últimos meses – em novembro, por exemplo, foi de 63,3%. Montadoras e autopeças continuam pressionadas, com redução de 0,75% no estoque de empregos.

No corte por regionais, duas abriram vagas em janeiro e duas fecharam (veja quadro acima). A diretoria de São Bernardo criou 300 vagas, primeiro saldo positivo no município em 12 meses. Na diretoria de Santo André (que inclui Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), as indústrias geraram 400 postos de trabalho, resultado que interrompeu 11 meses consecutivos de queda no estoque de vagas.

No sentido contrário, a regional de São Caetano eliminou 450 vagas em janeiro e a de Diadema, 100.

Recuperação?

No Estado de São Paulo, o parque fabril registrou saldo positivo de 6.500 vagas no mês passado, variação de 0,31% na comparação com dezembro, sem ajuste sazonal. Foi o primeiro aumento mensal no estoque de vagas desde abril de 2015. Em 12 meses, o saldo é negativo em 132 mil empregos extintos.

“Embora os sinais (de recuperação) ainda sejam tênues, esperamos que a indústria volte a gerar novos postos de trabalho neste ano”, comentou em nota Paulo Francini, diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon) das entidades.

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