Economia, Notícias

Apoiado por Skaf é o novo presidente da Fiesp

Apoiado por Skaf é o novo presidente da Fiesp
Josué: “Brasil precisa de uma indústria que cresça forte”. Foto: Hélvio Romero/Estadão

O empresário Josué Gomes da Silva, dono da Coteminas, do setor têxtil, foi eleito para ser o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a partir de 2022, encerrando quase 18 anos de Paulo Skaf na presidência. A eleição teve chapa única e Gomes da Silva obteve 108 votos, enquanto quatro optaram por anular o voto. “O Brasil precisa de uma indústria que cresça forte para que o Brasil cresça forte. Receber todos esses votos é uma grande honra”, afirmou Gomes da Silva após o anúncio do resultado.

Apesar de conseguir 97% dos votos, o novo presidente da Fiesp terá, mesmo antes de sentar na cadeira, a missão de recriar a unidade dentro da federação empresarial mais rica do Brasil.

Essa divisão ficou mais clara na eleição do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). A chapa encabeçada pe­lo executivo do setor têxtil Rafael Cervone foi eleita com 1.147 votos, contra 680 da chapa do oposicionista José Ricardo Roriz, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Cervone, que será presidente do Ciesp a partir de janeiro de 2022, coloca panos quentes na disputa. Segundo o industrial, com o fim da eleição, não haverá mais situação e oposição. Para o executivo, é necessário “pensar em uma indústria unida e integrada”, mas admite que a relação com a oposição não está das melhores. “O diálogo com a oposição depende de como se comportar a oposição. Foi muito difícil esse período. Nós conversamos com toda a base industrial e assim vai continuar sendo”, disse.

Opositores acusam Skaf de se preocupar mais com suas pretensões eleitorais (ele concorreu ao governo do Estado nas últimas três eleições) do que com os inte­resses do setor. Além disso, alguns presidentes de associações afirmam que o presidente boicotava quem se posicionas­se contra suas propostas, retirando pessoas de grupos de discussão, até no WhatsApp. “Nunca fui adversário do ‘imperador’ Skaf. Porém, no dia que você discorda dele, há processo de exclusão total”, afirma o presidente de uma associação.

Essa também é a principal crítica de Roriz, derrotado na disputa do Ciesp. Segundo o empresário, Skaf passou a se preocupar mais com eleições do que com a indústria. “A agenda do Skaf é muito mais pessoal”, afirmou.

Skaf afirma que há um grupo minoritário que faz barulho, mas que as votações expressivas de ontem mostram que a sua condução é aprovada pela grande maioria e que não há nenhuma atitude de “imperador”.

“Uma democracia não pode ser baseada na opinião de dois ou três. O ‘imperador’ apoiou um candidato que teve 97% dos votos e outro com quase 70%. Eu não fui candidato a nada”, afirmou Skaf ao Estadão.

Roriz afirma que está aberto para conversas com os candidatos eleitos e que espera que as demandas levantadas pela oposição durante o pleito sejam ouvidas pelos novos presidentes a partir de 2022.

A unificação, tanto da Fiesp quanto do Ciesp, é o que espera Ciro Marino, presidente da Associação Brasileira da Indústria Química. “Não acredito que a Fiesp esteja rachada, mas é preciso entender por que há divergências e conciliar a entidade.”

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*