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Apesar da queda na inadimplência, bancos elevaram juros ao consumidor em 2016

Apesar da queda na inadimplência e no custo de captação de dinheiro pelos bancos, as taxas de juros cobradas do consumidor subiram no ano passado.

O “spread” bancário, como é chamada a diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram na ponta, aumentou 5,3 pontos porcentuais em 2016 nas linhas de crédito a pessoas físicas, segundo o Banco Central.

A inadimplência recuou de 4,2% no final de 2015 para 3,9% em dezembro de 2016.

Fonte: Graffo

O aumento do spread ocorreu mesmo com a queda de 11,3% para 9,6% na taxa de captação dos bancos.

A taxa média de juros cobrada dos consumidores nas linhas ao consumo, o que exclui o crédito imobiliário, passou de 63,7% ao ano no final de 2015 para 71,5% ao ano em dezembro de 2016.

Houve ligeira queda em relação ao pico de 73,6% registrado em outubro e novembro, movimento classificado como sazonal de fim de ano.

Para as empresas, por outro lado, a inadimplência subiu de 4,5% para 5,2%, mas a taxa média de juros recuou de 29,8% para 28,2% na mesma comparação.

“A inadimplência é um dos fatores determinantes do spread, mas essa evolução não necessariamente é imediata. É natural que ocorra alguma defasagem”, afirmou Renato Baldini, do Banco Central.

“No ano passado, os bancos promoveram diversas renegociações de dívidas, o que manteve a inadimplência sob controle”, disse João Morais, economista da consultoria Tendências. “Porém, o risco de crédito, que é ligado ao mercado de trabalho, piorou, e isso se refletiu no spread.”

Segundo Morais, a expectativa para 2017 é de  ligeira melhora no mercado de crédito. Entre novembro e dezembro, a concessões de empréstimos cresceram 1%.

Também houve queda no spread, de 41,9 para 40,2 pontos porcentuais. Porém, Morais considera que ainda é cedo para falar em recuperação.

No ano passado, o estoque de operações de crédito recuou 3,5% (10% se considerada a inflação do período). Foi a primeira retração, considerados dados do BC desde 1994.

Para as pessoas físicas, o estoque cresceu 0,5% no consumo e 7% no imobiliário. Para as empresas, caiu 9,5%.

Houve queda de 13% nas linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico  e Social (BNDES), o que contribuiu para que a fatia dos bancos públicos recuasse de 55,8% para 55,7% entre o fim de 2015 e de 2016.

 

Crédito rotativo do cartão poderá ser parcelado a partir de abril

O uso do rotativo do cartão de crédito ficará limitado ao prazo de 30 dias a partir de abril, de acordo com as novas regras para o uso dessa linha de crédito anunciadas pelo Banco Central ontem (26).

A linha usada por quem não consegue pagar o valor integral da fatura só poderá ser usada entre o vencimento e a data de liquidação da fatura seguinte.

Depois, as instituições  deverão procurar o consumidor para oferecer nova modalidade de financiamento ou, automaticamente, parcelar o valor, com número determinado de prestações e juros menores.

“A expectativa é de que ofereçam o parcelamento ao cliente, mas será uma op­ção do banco”, disse Otávio Damaso, diretor de regulação do BC.

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