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Apesar da crise de chips, produção de veículos cresceu 11,6% em 2021

Apesar da crise de chips, produção de veículos cresceu 11,6% em 2021
Setor foi prejudicado por gargalos logísticos, inflação de matérias-primas e escassez de materiais. Foto: Divulgação/VW

Setor fabricou 2,25 milhões de unidades no país; para este ano, Anfavea projeta alta de 9,6%

Apesar da crise global de fornecimento de componentes eletrônicos, a indústria automotiva brasileira encerrou o ano passado com crescimento de 11,6% na produção – sobre uma base de comparação bastante fraca, é verdade, uma vez que, em 2020, as montadoras praticamente pararam as linhas de montagem por dois meses (em abril e maio) devi­do à pandemia de covid-19.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o setor encerrou 2021 com 2,248 mi­lhões de unidades produzidas, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Para este ano, a expectativa da entidade é de alta de 9,6%, para 2,46 milhões de veículos.

“A crise global de semicon­dutores provocou várias parali­sações de fábricas ao longo do ano por falta de componentes eletrônicos, levando à perda es­timada em 300 mil veículos. Para este ano, a previsão ainda é de restrições na oferta (de veículos) por falta de componentes, mas em um grau inferior ao de 2021, o que projeta mais um degrau de recuperação do setor”, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, durante entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (7) à imprensa.

Dezembro teve o me­lhor resultado do ano em termos de produção, com 210,9 mil veí­culos fabricados, 0,8% acima do registrado no mes­mo mês de 2020. Moraes destacou o esforço das montadoras para finalizar automóveis cuja pro­dução não seria mais permi­ti­da em 2021 por conta do aper­­­to nos limi­tes de emissão de po­luentes adotados no país.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), po­rém, deu ao setor mais três meses para terminar de montar esses veículos. Segundo o presidente da Anfavea, cerca de 20 mil unida­des aguar­dam componentes – principal­men­te eletrônicos – nas fábricas para serem finalizados.

VENDAS

Com a escassez de determinados mo­delos no mercado, as vendas de veículos no­vos subiram apenas 3% em 2021, para 2,12 milhões de uni­dades, na soma de todas as categorias. O número geral, porém, escon­de desempe­nhos díspares no corte por segmentos.

Impulsionada pelas enco­mendas do agronegócio, as vendas de caminhões avançaram 43,5%, para 128,7 mil unidades, melhor resultado desde 2014. Porém, os emplacamen­tos de carros de passeio – cujas fábricas tiveram de parar com frequência pela insuficiência de semicondutores – tiveram queda de 3,6%, para 1,56 milhão de unidades, mesmo diante da fraca base comparativa de 2020.

Apesar do resultado discreto de 2021, o setor teve em dezembro encerramento po­si­tivo para o ano. Pela primeira vez em 12 meses, as vendas passaram a casa de 200 mil unidades. Para este ano, a Anfavea prevê crescimento geral de 8,5% no to­tal de licenciamentos, para 2,3 milhões de veículos.

“Apesar das turbulências econômicas e do ano eleitoral, apostamos na recuperação de todos os indicadores da indústria, que poderiam ser ainda melhores se houvesse um ambiente de negócios mais favorável e uma reestruturação tributá­ria sobre os produtos industrializados”, destacou Moraes.

Ainda segundo a Anfavea, o setor encerrou o ano passado com 101,1 mil empregados, o que revela estabilidade na comparação com dezembro de 2020.

Anfavea vê risco de fábricas pararem por dias ou semanas neste ano

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, afirmou que o risco de interrupção da produção por conta da escassez global de semicondutores vai continuar neste ano. Segundo o executivo, há ainda possibilidade de ver fábricas pararem por dias ou semanas por falta de componentes.

“A gente tem feito forte trabalho com nossas matri­zes, mas existe risco, sim. Vamos verificar dias parados em uma fábrica, semanas em outra. Esperamos que, com menos emoção do que em 2021, mas o risco continua no radar”, projetou Moraes.

Segundo o presidente da Anfavea, a previsibilidade da­da por fornecedores de componentes eletrônicos é de ape­nas quatro semanas. “Nossos fornecedores de semiconduto­res não sabem dizer o que vai acon­tecer em fevereiro.”

SIDERÚRGICAS

A Anfavea considerou inviável o aumento de 50% pedido pelas siderúrgicas para o fornecimento de aço ao setor. Apesar de mostrar compreensão sobre a escalada dos preços das commodities no último ano, Moraes adiantou em en­trevista coletiva concedida à imprensa que as montadoras vão brigar na mesa de negociação para derrubar o aumento pedido pelos produtores de aço, um dos materiais mais usados na fabricação de veículos.

“Vamos à mesa de negociação para brigar por qualquer centavo”, disse o executivo.

EXPORTAÇÕES

A rápida recuperação após o pico da pandemia de co­vid-19 em mercados como Colômbia, Chi­le, Peru e Uruguai ajudou a impulsionar as exportações de veículos brasileiros, apesar das res­trições comerciais impostas pelo governo argentino. As 376,4 mil unida­des embarcadas representaram crescimen­to de 16% sobre o enviado em 2020. Pela primeira vez, a Argentina representou menos da metade dos embar­ques nacionais (34% do total).

Em valores, as exportações tiveram alta ainda maior, de 37,8%, para US$ 7,6 bilhões, por conta do envio mais re­presentativo de veículos com maior valor agregado, como ca­minhões e utilitários esportivos (SUVs). Para 2022, a expectativa é de exportar 390 mil unidades, com incremento de 3,6% sobre o resultado do ano passa­do.

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