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Apenas quatro escolas públicas estão entre 20 primeiras do ENEM no ABC

Entre as públicas, a mais bem avaliada foi a Escola Técnica Júlio de Mesquita, de Santo André. Foto: Arquivo

O Ministério da Educação divulgou ontem (4) os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) realizado em 2015. No ABC, entre as 20 escolas com melhor média geral (sem contar a nota da redação), apenas quatro são estaduais, todas escolas técnicas e administradas pelo Centro Paula Souza (CPS), governo estadual (veja tabela).

A escola com maior pontuação foi o colégio privado Villare, de São Caetano, que alcançou a média 679,50 (a reportagem somou as quatro notas: Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza para obter a média geral). Entre as públicas, a mais bem avaliada foi a Escola Técnica Júlio de Mesquita, de Santo André.A unidade obteve média geral 614,62. Entre as 50 primeiras, estão apenas seis escolas públicas, sendo cinco escolas técnicas estaduais e uma municipal, a Alcina Dantas Feijão, de São Caetano.

O professor da Escola de Educação no Mestrado em Educação da Universidade de São Caetano (USCS) Paulo Garcia explicou que os dados explicitam o abismo existente entre a educação privada e a pública. “O principal indicador em avaliações nacionais como o Enem, a Provinha Brasil, é o nível socioeconômico”, destacou o profissional. “Todas as escolas com boa nota têm um nível socioeconômico alto ou muito alto, e isso pode responder por até dois terços do desempenho de um aluno”, completou.

“Estudo recente mostra que mesmo em regiões mais ricas, como é o ABC, a questão econômica ainda determina em grande parte as competências que os alunos serão capazes de aprender. A infraestrutura das escolas, ou seja, laboratórios, bibliotecas, computadores, tudo isso também impacta no aprendizado, e logo, nos resultados desses alunos”, afirmou.

“Por último, podemos citar a capacitação dos professores, que costumam ser muito mais bem pagos na rede privada. Nas escolas técnicas estaduais, que sempre se destacam, a estrutura é muito semelhante às instituições privadas”, pontuou.

Segundo o professor, no ensino médio da rede pública, a cada grupo de seis alunos, hoje, um abandona os estudos. “Esperamos que essa reforma que está sendo discutida para o ensino médio, se for melhor elaborada, nos ajude com esse triste dado e com a melhora geral no aprendizado”, concluiu.

Resultado

O diretor da ETEC Julio de Mesquita, professor Luiz Saito, destacou que o resultado deixa toda a direção e equipe da unidade muito satisfeitos. “As ETECs têm um ensino diferenciado. Não trabalhamos com notas, mas com conceitos, o que leva o professor a conhecer melhor o aluno. Além disso, todas as atividades são relacionadas a projetos, que por sua vez, são relacionados a situações práticas, a fim de dar ao aluno a vivência necessária”, afirmou.

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