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Ao lado de Merkel, Obama diz esperar que Trump confronte a Rússia

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, disse ontem(17) esperar que seu sucessor, Donald Trump, esteja disposto a “confrontar a Rússia quando ela se desviar de nossos valores e normas internacionais”. Obama participava de entrevista coletiva em Berlim ao lado da chanceler alemã Angela Merkel, sua principal aliada europeia. Ambos haviam discutido possíveis sanções econômicas à Rússia, país que se tornou tema central da discussão das relações internacionais dos EUA após a vitória de Trump.
Obama afirmou que o país rival “é um superpoder militar” com influência ao redor do mundo. “É do nosso interesse trabalhar com a Rússia para resolvermos diversos grandes problemas”, disse.

O presidente americano e a chanceler se reuniram na última viagem internacional de Obama, para estreitar seus laços e discutir relações entre EUA e União Europeia. Obama disse a repórteres que Merkel foi uma “parceira extraordinária” nos últimos anos e que, caso fosse alemão, apoiaria a chanceler.

Esteve em pauta durante sua reunião, além da Rússia, o combate à organização terrorista Estado Islâmico e um acordo de livre comércio. Ambos devem se encontrar na hoje (18) com a premiê britânica, Theresa May, o premiê espanhol, Mariano Rajoy, o premiê italiano, Matteo Renzi, e também o presidente francês, François Hollande.

Obama entregará seu cargo a Trump em janeiro. Seu legado, no entanto, deve ser transferido a Merkel, vista como sucessora do presidente americano na liderança de seu projeto político. Merkel é considerada por Obama como sua aliada mais próxima. O “New York Times” diz da alemã que é “a última defensora dos valores liberais do Ocidente”. A revista “Foreign Policy” considera a alemã guardiã das instituições da ordem mundial.
As expectativas são altas. Depois de 11 anos no poder, espera-se agora que Merkel busque um quarto mandato nas eleições previstas para o ano que vem – apesar de sua popularidade estar em queda devido a sua política de acolhimento de refugiados. Em visita a Berlim, o premiê francês, Manuel Valls, afirmou , ontem, que “A UE está sob risco de romper-se a não ser que a França e a Alemanha, em especial, trabalhem duro para estimular o crescimento e o emprego.”

Divergências
Merkel e Trump têm estilos bastante distintos. O presidente eleito dos EUA criticou a gestão da crise dos refugiados na Alemanha e afirmou que sua rival Hillary Clinton, era uma “Merkel dos EUA”. São diversas as divergências entre Merkel e Trump. A alemã defende, por exemplo, a Otan (aliança militar ocidental). Trump exige maior participação da Europa no orçamento do tratado e questiona o dever de os EUA defenderem outros países.

Trump tampouco vê com simpatia o tratado de comércio entre EUA e Europa, defendido por Obama e Merkel. Ao lado de Obama, Merkel afirmou que o tratado “não será concluído agora”, depois da eleição do republicano.
A alemã se distingue, também, de líderes em ascendência na Europa, como a francesa Marine Le Pen. Merkel enfrenta a extrema-direita em seu país, o partido AfD (Alternativa para a Alemanha).

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