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Antonio Donato: temos de aproveitar a mudança de matriz enérgica para se ter uma nova indústria, inclusive no ABC

Deputado estadual defende política de desenvolvimento que une crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e inclusão social

Donato: desde jovem luto por um Brasil mais justo e os caminhos foram me levando para a política. Foto: Angelica Richter
Donato: desde jovem luto por um Brasil mais justo e os caminhos foram me levando para a política. Foto: Angelica Richter

O deputado estadual Antonio Donato (PT) pauta sua vida pública no combate à desigualdade social e na construção de uma sociedade mais justa. Com grande experiência na vida pública – participou de três administrações do PT na cidade de São Paulo, além de vereador na Capital –, Donato defende uma nova política de desenvolvimento para o Estado, a qual combine crescimento econômico, sustentabilidade am­biental e inclusão social. Em visita ao Diário Regional, o deputado afirmou que o Brasil é um país muito desigual e isso o motiva a trabalhar para diminuir essas desigualdades e ter um país melhor para o povo.

“Desde jovem luto por um Brasil mais democrático e justo, e os caminhos foram me levando para a política. Ter cargos no Legislativo sempre encarei como tarefa de militante. Trabalhar para transformar a vida das pessoas”, pontua.

Quanto deputado estadual, o petista já apresentou diversos projetos, dentre os quais o que estabelece a política estadual de incentivo ao uso de carros elétricos ou movidos a hidrogênio e o que institui o Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca. “Fui vereador por 18 anos em São Paulo e tem algumas leis que deram certo lá. Por exemplo, São Paulo tem o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca, política idealizada para fomentar a leitura e a economia do livro, para estimular a bibliodiversidade e as bibliotecas comunitárias. Enfim, toda uma cadeia tem entorno da produção literária. Então, agora apresentei o plano estadual na Assembleia.”

Segundo o deputado, em São Paulo também existe uma lei de incentivo ao uso de carros elétricos, híbridos e a hidrogênio, que diz respeito à mudança de matriz enérgica que ocorre no mundo todo. “O IPVA é 4% do valor do automóvel, 2% fica com o Estado e 2% com o município. Em São Paulo, aprovamos uma lei que quando você compra um carro elétrico, híbrido ou a hidrogênio, esses 2% são devolvidos para o proprietário e agora, no Estado, quero devolver os outros 2%”, destacou.

Donato ressaltou que a tecnologia torna os carros mais caros que a média e é necessário baratear os automóveis com matriz enérgica alternativa aos derivados de petróleo para estimular seu uso.

Outra questão destacada por Donato é a da desindustria­lização. Para o deputado, não existe nação desenvolvida que não tenha uma indústria forte. “Não podemos nos conformar em ser só uma fazenda para o mundo, produzir produtos agrícolas e agropecuários e exportar. Evidente que não sou contra a fazer isso, mas a indústria já teve participação 10% ou 11% no PIB (soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade), só que precisamos de uma nova indústria. O ABC não vai ser o velho ABC com 30 mil funcionários na Volkswagen. Isso não existe mais. Temos de aproveitar essa oportunidade de mudança de matriz enérgica e novas vocações que o Brasil tem para se ter uma nova indústria, inclusive no ABC.”

Segundo Donato, por exemplo, a indústria automotiva não será retomada como antigamente, mas quando a Ford dispensou cerca de 3 mil funcionários, na mesma época, em uma feira de carros elétricos, a Toyota anunciou a abertura de 1.800 vagas em Sorocaba para produção de carros híbridos, de etanol e bateria. “Então, precisamos entender essas mudanças, estimulá-la e aproveitar essas áreas que já foram industrializadas, com grandes plantas, para serem reindustrializadas, mas com uma nova indústria, 4.0, com mais tecnologia e inovação”, pontuou.

O deputado destacou que o Brasil tem várias vocações, como para a energia limpa e a indústria da saúde. Segundo o petista, o país tem grandes hospitais públicos e privados com grande tecnologia e que usam equipamentos caríssimos que podem ser desenvolvidos no território nacional. “Temos universidades e institutos de pesquisa. São Paulo é “um país” e se quiser ter política industrial é bom que o governo federal também tenha e induza uma política industrial consistente. Vou batalhar esse debate no Estado, dessa nova indústria e a necessidade de investimentos em tecnologia”, disse.

METRÓPOLE

Donato destacou a falta de uma visão metropolitana, já que as cidades se interligam. “Temos a questão do transporte, que é um drama, da saúde, e precisamos ter uma governança me­tropolitana. Essa é um tema que precisamos aprofundar. Não dá para esta macrometrópole que é a Grande São Paulo não ter uma governança metropolitana na questão do abaste­cimento, do lixo, da saúde e do transporte, além das questões de divisa. Não tem sentido falar que uma pessoa de uma cidade não pode usar ubs de outra de­vido a uma rua.”

ALESP

Segundo o deputado, a oposição, nesta legislatura, está com bancada maior e se percebe que parlamentares da situação questão descontentes com o governo. “O governador Tarcísio (de Freitas/Republicanos) não apresentou nenhum projeto importante para a Assembleia Legislativa. Apresentou o do salário mínimo e o do reajuste das forças policiais, que deu muito ruído na base dele. Tenho expectativa que com a nossa bancada possamos pesar no debate e influencia políticas públicas e projetos. Porém, diria que, apesar de estar há dois meses lá, se abre uma perspectiva melhor do que em outros mandatos em que a oposição era mais minoritária e a base do governo mais coesa. O fato é que, no momento, estão batendo cabeça.”

EDUCAÇÃO

Para o deputado é uma vergonha a situação do ensino em São Paulo, haja vista que os indicadores mostram o Estado de intermediário para baixo e que estados muito mais pobres têm resultados melhores na educação.

“Vivemos hoje na economia do conhecimento. Se as pessoas não tiverem algum tipo de formação não vão ter chances e estamos tratando muito mal os nossos jovens. É evidente que precisamos de valorização do processo de educação e estamos muito preocupados porque o governador Tarcísio andou acenando e deu entrevistas nas quais afirma que vai diminuir a verba da educação de 30% para 25%. Isso é absurdo. Em geral todos sabem que as escolas estaduais são piores que as municipais e tem uma defasagem grande tanto nos salários dos professores quanto na estrutura física das escolas, além de toda política de assistência para os alunos mais vulneráveis, como transporte, uniforme e material escolar”, afirmou.

VIOLÊNCIA

Preocupado com a recente onda de violência nas escolas, o petista apresentou projeto relacionado que prevê um núcleo de assistência social e psicologia nas unidades escolares estaduais. “Vimos a tragédia em Suzano, na Vila Sônia e no Espírito Santo. Geralmente, são jovens que já deram sinais de distúrbios psicológicos e que não tiveram acompanhamento porque o professor não está preparado para isso. Porém, se tiver um psicólogo na escola e um assistente social que possa entender a família, certamente teremos um ambiente escolar mais sadio”, afirmou.

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