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Ana Carolina Serra: ‘vamos resgatar o espírito solidário’

Ana Carolina: “O maior desafio é fazer muito com pouco. Isso requer da gente muita criatividade”. Foto: Alex Cavanha/PSAA primeira-dama de Santo André e presidente do Núcleo de Inovação Social, Ana Carolina Rossi Barreto Serra, tem uma missão nos últimos oito meses: resgatar o espírito solidário do andreense. “O maior desafio é fazer muito com pouco. Isso requer da gente muita criatividade, muita habilidade e tentar resgatar esse espírito solidário e de pertencimento do cidadão no município”, afirmou. Ana Carolina tem 38 anos, é mestre em Direito, professora universitária de Direito Previdenciário e mãe da pequena Maria, de 2 anos.

O trabalho já tem alcançado alguns objetivos: foram mais de 150 mil peças doadas na campanha do agasalho, a reabertura do Banco de Alimentos com 59 entidades cadastradas e recordes de doação de alimentos e itens de limpeza, 700 refeições servidas no Festival da Sopa. “Estamos pensando em outras questões mais amplas, para que essas campanhas se tornem permanentes”, relatou Ana Carolina. “Sempre que o munícipe tiver a intenção de doar, não precisará esperar uma determinada campanha”, explicou.

O sucesso da Campanha de Agasalho motivou o Núcleo a organizar as campanhas de arrecadação de brinquedos e livros. No Banco de Alimentos, as doações já são permanentes, em todos os dias de funcionamento do equipamento. “O Banco tem arrecadado não só alimentos, mas também os supermercados locais, que são bastante parceiros, estão doando material de limpeza, de higiene, ração de cachorro, e temos conseguido atender as entidades e, consequentemente, as famílias de uma forma mais completa e mais humana”, comemorou.

A reabertura do equipamento, fechado desde o final da gestão passada, é apontada pela presidente do Núcleo como uma das maiores conquistas deste período inicial de atuação. “O prefeito queria que reabríssemos o Banco de Alimentos em abril, como um presente para a cidade. Paramos as outras questões do Núcleo e focamos nisso, reabrimos e colocamos para funcionar. Agora temos metas de crescimento, de arrecadação e distribuição”, relatou.

Criatividade

Ana Carolina destacou o empenho da equipe, que é pequena, e que por isso tem atuado com criatividade. “Não faço nada sozinha. Foi a equipe do Núcleo de Inovação Social, que em um trabalho conjunto, realizou. É essa consciência que pretendemos, por meio do Núcleo, despertar no andreense. Ajudar, olhar para o lado. Tem gente que diz que quer ajudar, mas não sabe como. Olha para o seu lado”, pontuou.

O Fundo Social de Solidariedade também está sendo reativado e já assinou convênios com o governo do Estado para cursos de panificação, costura, construção civil. Serão 15 vagas em cada curso e as aulas começam assim que a sede do FSS, que está sendo reformada e ficará junto ao Banco de Alimentos, estiver pronta.

“Infelizmente quando chegamos aqui em janeiro não tinha sede. Agora está passando por reformas de acordo com a realidade orçamentária do município. Fomos atrás dos convênios de capacitação profissional. Fizemos a lição de casa, as prestações de conta dos convênios anteriores, para mostrar ao governo do Estado que o município possui capacidade para ter um Fundo de Solidariedade”, relatou. “Foi com uma alegria gigante que conseguimos ter o convênio de todas as escolas”, completou.

Ana Carolina tem deixado um pouco de lado sua atuação como professora universitária para conciliar as atividades junto à prefeitura e os cuidados da filha, que ainda não fica na escola “Por conta da minha questão com a imunidade, ela ainda não foi escolarizada”, relatou. A primeira-dama tem doença de Crohn, enfermidade autoimune, que tem como uma das principais características a inflamação do trato gastrointestinal. Para sensibilizar a sociedade sobre a doença, o Núcleo promoveu o Maio Roxo, para alertar sobre as doenças inflamatórias intestinais.

Para se tratar, Ana tenta manter uma rotina de atividades físicas. Porém, o estudo do saxofone, uma de suas atividades preferidas, também tem ficado de lado. “Encontrar o equilíbrio é muito difícil, mas se pararmos para nos organizar, ver o que é prioridade naquele momento, vamos procurando estabelecer as agendas e estabelecendo esse equilíbrio. Não adianta só focar uma coisa. Tem de olhar como um todo e estabelecer as prioridades”, afirmou, quando questionada sobre suas atividades diárias.

Núcleo

Sobre o trabalho no Núcleo, Ana Carolina não esconde a sua empolgação. “É muito prazeroso. Fiquei muito feliz porque me identifiquei muito com o trabalho. Tem gente que fala: não é demais? Não. Fico feliz, muito feliz pelos resultados, porque com pequenas ações a conseguimos atingir quem mais precisa”, pontuou.

“Quando olho para trás, caramba, já fizemos muitas coisas”, celebrou.

Apesar da satisfação com a atuação à frente do Núcleo, Ana Carolina não tem pretensões políticas. “A campanha é muito difícil, muito pesada, principalmente para quem tem criança pequena. É de tirar o chapéu, porque uma campanha política não é pra qualquer um e é admirável ver as mulheres em campanha, porque é muito sacrificante. Não é algo que eu queira para mim. Estou muito feliz aqui no núcleo. Tenho muitos projetos e muitas ideias para colocar em prática”, destacou.

A presidente do Núcleo não gosta do título de primeira-dama e avalia que a participação feminina na política está apenas começando. “Não gosto de ver as coisas acontecendo e não fazer nada. Tem pessoas que gostam de não se envolver e é plenamente aceitável isso. Porém, não sou assim. Temos uma cultura aceitável de ter participação ou não das esposas de exercentes de mandatos no Poder Executivo. Eu, Ana Carolina, tenho vontade de fazer algo pela minha cidade e quero colaborar naquilo que tenho capacidade de fazer. Me sinto capaz e fiquei muito à vontade e feliz quando conversando com o Paulo Henrique ele falou: é muito pouco o fundo social, você tem ideias. Eu gosto disso. Então, ele falou ‘vou te dar de presente isso’, e o Núcleo foi um grande presente, foi a oportunidade que me deu de fazer alguma coisa pela cidade”, afirmou.

“A participação feminina na política pode crescer muito. Acho que o momento de depuração política que vivemos não é propício para as pessoas se envolverem com a política, mas também é a oportunidade de mostrar que pode ser feito diferente. Para quem tem a vocação e queira participar desse processo é muito oportuno”, ressaltou.

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