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Alunos ocupam EE Diadema contra PEC 55 e reforma do ensino médio

Na próxima semana será realizado encontro com alunos, pais e corpo docente da instituição. Foto: Eberly Laurindo

Após um ano da ocupação da Escola Estadual Diadema, antigo Cefam, no Centro da cidade, a unidade de ensino é novamente ocupada por alunos, que desta vez protestam contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, que estabelece limite de gastos para o governo federal por um período de 20 anos e também contra a reforma do ensino médio, a qual, entre outras mudanças, prevê a adoção de ensino em tempo integral e a possibilidade de escolha pelos alunos pelo ensino profissionalizante ou normal. Em 2015, a escola foi a primeira do Estado a ser ocupada contra a reorganização escolar proposta pelo governo do Estado, dando início a um movimento que ocupou mais de 200 unidades em São Paulo.

A ocupação teve início na noite de quarta-feira (9) por estudantes que passaram a noite na escola. Segundo a aluna do 3º ano Rafaela Boa­ni, uma das representantes da ocupação e do grêmio estudantil, os alunos do período noturno foram consultados e a grande maioria optou pelo ato. “É uma ocupação pacífica. As aulas continuam normalmente, não temos o controle do portão.

Queremos apenas conversar com as pessoas, explicar o que é a PEC e o que é a reforma”, declarou. A escola é a primeira do ABC a ser ocupada em protesto contra a PEC.

A aluna defende que tanto a PEC quanto a reforma trarão prejuízos. “Precisamos falar que os recursos da saúde e da educação serão cortados. Que essa reforma do ensino médio, de cima para baixo, sem ouvir os estudantes, vai prejudicar os alunos que trabalham e estudam. A gente quer garantir que a informação chegue para pais e estudantes sem estar distorcida”, relatou. “O governo tem medo das ocupações, porque elas politizam os alunos”, destacou.

Rafaela relembrou os 42 dias em que a escola foi ocupada em 2015. “Conseguimos que a reorganização escolar fosse revogada. O governador (Geraldo Alckmin) falou que este ano seria de diálogo, mas não houve diálogo. Estamos nos sentindo abandonados. Queremos com essa ocupação parar a PEC e essa reforma”, concluiu.

Após reunião que envolveu a direção da unidade, da Delegacia de Ensino e Diadema e dos ocupantes, ficou decidido que na próxima semana será realizado encontro com alunos, pais e corpo docente, para apresentação dos objetivos da ocupação.

Diálogo
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação informou que “a Diretoria Regional de Ensino de Diadema está acompanhando o pequeno grupo de alunos que segue na unidade e informa que as aulas de hoje transcorreram normalmente. A D.E continua investindo no diálogo com os alunos e ressalta que nenhuma das reivindicações do protesto é de responsabilidade da Pasta, mas, sim, contra a proposta do MEC de reforma do ensino médio e a PEC 241. Um boletim de ocorrência foi registrado pela direção”.

“A administração regional garante os 200 dias letivos e todo o conteúdo perdido será reposto. Cabe ressaltar que São Paulo discutirá com todos os alunos da rede estadual as propostas apresentadas pelo MEC. O próximo ano será de análise; nada será mudado antes de um amplo debate com dirigentes, supervisores, diretores, professores e os próprios estudantes”, diz a nota.

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