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Alckmin deixa governo com discurso em tom de campanha

Alckmin deixa governo com discurso em tom de campanha
Cerimônia para troca de comando do governo do Estado foi realizada no Palácio dos Bandeirantes. Foto: Governo do Estado

O pré-candidato a presidente pelo PSDB, Geraldo Alckmin deixou ontem (6) o cargo de governador do Estado de São Paulo para concorrer na eleição de outubro. Em seu lugar, assumiu o vice-governador, Márcio França (PSB). Em seu discurso, fez questão de frisar, “não é fim. É, sobretudo, o marco de um início (…). Esse momento não é o fim, ele é sim um ponto de largada, para uma nova fase e uma mais desafiadora missão. Deixo hoje o governo do Estado de são Paulo para me apresentar nos próximos meses ao eleitorado brasileiro”.

Alckmin fez críticas direcionadas ao PT. “O que aguarda o vencedor nas eleições presidenciais é um governo difícil. Uma herança difícil deixada pelo PT, que nestes quase dois anos, desde o impeachment, apenas começou a ser enfrentada pelo governo do atual presidente da República (Michel Temer/PMDB)”, afirmou.

“O Brasil cansou da corrupção, da roubalheira, da indecência; do compadrio, do patrimonialismo. Está farto de ver poucos privilegiados se darem bem enquanto a maioria paga a conta. Não suporta o Brasil do Estado gigante, da burocracia, que não serve a quem mais precisa, porque serve apenas a quem mais o parasita”, destacou. “Combater de maneira incessante as nossas mais dolorosas chagas, a desigualdade social e a concentração de renda, ambas agravadas pela crise econômica, patrocinadas pelo governo que se dizia dos pobres”, completou.
Lealdade

Sobre França, Alckmin destacou a lealdade e a experiência. “Márcio foi um companheiro leal e presente em todos os momentos importantes deste meu governo, desde 2015. Continuará a ser. Sabe o que faz e, tenho certeza, fará um belo e grande trabalho”, afirmou. Antes de ser vice-governador, França foi secretário de Estado de Turismo na primeira gestão do tucano.

Acompanhado da esposa, Lúcia França, o agora governador desafiou o protocolo e fez um discurso em forma de poesia, em que desde o início destacou a lealdade. “Eu sou e serei leal ao seu legado, sua conduta e seu exemplo. França falou da lealdade da família, da esposa e também sob diversos aspectos, e terminou dizendo “No dicionário cravado em nossos corações, só uma palavra precede a palavra lealdade, e essa palavra é gratidão”.

Para os presentes, França também aproveitou para mandar um recado ao pré-candidato a governador pelo PSDB, João Dória, a quem tem acusado de não ser leal e de ter traído a população de São Paulo, uma vez que se comprometeu a cumprir inteiramente seu mandato, mas já deixou o cargo para concorrer em outubro. Cerca de quatro mil pessoas acompanharam a cerimônia.

Durante a eleição, Alckmin terá de se dividir entre os palanques de Dória e França, que também vai concorrer ao governo do Estado. Para o deputado mineiro Júlio Delgado (PSB), a situação será facilmente administrada. “Pode ser que isso aconteça, do mesmo jeito que o PSB pode ter a candidatura do Joaquim Barbosa (ex-ministro do STF), e a gente vai ter que ter palanque para ele aqui também em São Paulo. Isso é uma questão mútua e respeitada”, pontuou.

Para Márcio França, é preciso evitar tumultos em São Bernardo

Na primeira coletiva de imprensa após a posse, o governador Márcio França (PSB) afirmou que a Tropa de Choque da Polícia Militar seguiu ontem (6) para São Bernardo, onde ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está desde a última quinta-feira, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, evitando o cumprimento do mandado de prisão expedido pelo juiz federal Sério Moro. França declarou que espera que não seja preciso a atuação da corporação.

“O Brasil não precisa mais de gente beligerante. Não precisamos de mais água nessa fervura, não há nenhuma necessidade disso, vamos ver se o mundo da política consegue resolver isso com bom senso e com um pouco de paciência”, afirmou.

“Quando as pessoas estão exaltadas, a tendência é sempre ter uma confusão inesperada. Recebemos orientação sempre do Poder Judiciário, que é quem determina as coisas, a Polícia Militar e as demais polícias seguem essa determinação, mas naturalmente nos vamos fazer até o limite para que as coisas possam ser feitas em paz”, completou.

França destacou que “em função do clima que está acontecendo no Brasil, a Tropa evidentemente tem que estar preparada, mas não é por conta da determinação, é por conta dos tumultos que podem vir a acontecer”. O governador declarou, ainda, que a Polícia vai aguardar as determinações judiciais. “Ninguém quer transformar o Brasil num caldeirão de violências desnecessárias”, concluiu.

Questionado sobre o que muda na campanha após a saída de Lula, Alckmin afirmou apenas que “a lei deve ser para todos”. “Decisão judicial se respeita, ainda mais uma decisão da Suprema Corte. Todos tem direito de defesa, certamente vão apresentar medidas judiciais cabíveis, mas ninguém está acima da lei, por mais importante que sejam as pessoas”, declarou.

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