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Afinal para onde vai nossa civilização?

Uma cidade no sul da Hungria decidiu proibir a entrada, circulação e acesso de muçulmanos e gays. A placa que foi colocada na entrada da cidade é clara ao proibir o acesso destes grupos sociais, e que também não permite a construção ou implantação de mesquitas na cidade. O que mais me intriga, é que a cidade é majoritariamente Cristã e Branca.

A cidade de Ásotthalom fica nas remotas planícies do sul do país, a duas horas da capital, Budapeste. O prefeito, Laszlo Toroczkai, em entrevista ao programa Victoria Derbyshire, da BBC, disse que esta atitude é na verdade uma “guerra contra a cultura muçulmana”, ele ainda diz que espera atrair cristãos europeus que se opõem à diversidade cultural em seus países. Com isto, o prefeito deixou claro na entrevista, que deseja atrair para sua cidade “gente que não gosta de viver em uma sociedade multicultural”.

A entrevista é assustadora, uma vez que exalta o desejo de deixar a cidade apenas para Cristãos Brancos. Levanto uma questão neste momento: o que Jesus diria desta situação? Quando vou ao evangelho de João, no capítulo 13, no verso 35, na versão King James (Bíblia) encontro um recado que Jesus deixa aos seus amigos e seguidores: “ Através deste testemunho todos reconhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros”.

No mesmo verso na Versão Internacional (Bíblia): “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. Fico pensando em como encaixar este tipo de cristianismo no exemplo e nas palavras de Jesus… Pois cristianismo não é seguir o exemplo de Cristo? Como conciliar as palavras de Pedro em Atos 10:34: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas”, com as palavras do Prefeito: “Eu gostaria que a Europa fosse dos europeus, a Ásia dos asiáticos e a África dos africanos. Simples assim”.

Como? Os rumos que o mundo tem tomado às vezes me assustam, não consigo ver cristianismo nestas palavras: “somos uma população branca, europeia e cristã, queremos continuar assim”. Minha esperança, minha grande esperança, é que o mundo é repleto de diversidade, e um dia como disse Jesus, todos ouvirão a voz do Amor, amor que está acima das religiões e ou denominações.

Os filhos de Deus estão em todas as religiões, nações, regiões, culturas e denominações, o que interessa na verdade é que todos escutem a voz do amor e se transformem num grande povo, unido apenas pelo amor: “Existem ovelhas minhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor” (João 10:16).

Sabemos que este mundo está evoluindo, a despeito de atitudes assustadoras como a que vimos acima. Nosso universo, nossa civilização com certeza chegará ao ponto máximo desta evolução: onde não haverá mais lutas entre religiões, entre nações, entre etnias ou raças, haverá apenas um grande povo que habita uma casa comum – o planeta terra.

Alexandre Medeiros

Bacharel em Administração de Empresas – UNIB; Pós-graduação em Estudos Teológicos – UNASP; Mestre em Ciências da Religião – UMESP; Doutorando em Ciências da Religião – UMESP.

 

*O artigo acima reflete as opiniões do autor, e não do Diário Regional. A responsabilidade sob os conceitos e ou opiniões emitidos é exclusivamente do autor.

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