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Afazeres domésticos afetam inserção de mulheres no mercado de trabalho

Afazeres domésticos afetam inserção de mulheres no mercado de trabalho
Pesquisa mostra que mulheres recebem 75% da remuneração dos homens. Foto: Arquivo

As trabalhadoras brasileiras ainda ganham menos e despendem mais tempo do que os homens com os cuidados da casa e de familiares, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada ontem (7), por ocasião do Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje.

Elas dedicaram 73% a mais de horas para cuidados de pessoas ou afazeres domésticos do que homens em 2016: 18,1 horas semanais para as mulheres, contra 10,5 horas para os homens.

Os dados do IBGE, extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, mostram que a desigualdade no tempo despendido para essas atividades é maior no Nordeste, onde a dedicação das mulheres é 80% superior à dos homens, chegando a 19 horas semanais. A comparação também se agrava no recorte por raça e idade. São 18,6 horas semanais dedicadas por mulheres pretas ou pardas em 2016. Entre as brasileiras acima de 50 anos, a dedicação supera as 19,2 horas.

A responsabilidade pelos afazeres domésticos afeta a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Com mais tempo dedicado aos cuidados da casa e de familiares, é comum buscar jornadas de trabalho mais flexíveis.

“Mulheres que necessitam conciliar trabalho remunerado com afazeres domésticos e cuidados, em muitos casos, acabam por trabalhar em ocupações com carga horária reduzida”, diz o IBGE.

A proporção das que trabalham em período parcial, de até 30 horas, é de 28,2%. Entre os homens, esse porcentual ficou em 14,1% em 2016.

As desigualdades se acentuam por região: entre as mulheres no Norte e no Nordeste, o percentual de mulheres em jornada parcial beira os 37%. No recorte por raça, também há maior disparidade (31,3% entre pretas ou pardas e 25% entre as brancas).

Em relação aos rendimentos médios do trabalho, as mulheres seguem recebendo 75% do que os homens recebem. “Contribui para isso a própria natureza dos postos de trabalho ocupados pelas mulheres, em que se destaca a maior proporção dedicada ao trabalho parcial”, diz o IBGE.

A despeito da persistente desigualdade no mercado de trabalho, nos últimos 30 anos, o nível de escolaridade das mulheres cresceu em relação aos homens. Na faixa etária de 15 a 17 anos, a frequência à escola ficou em patamar muito próximo para ambos (87,1% para mulheres e 87,4% para homens). Na faixa entre 18 e 24 anos, a frequência delas é superior (34,1%) à dos homens (31,6%).

Na população de 25 anos ou mais com superior completo, os homens aparecem com 13,5%, abaixo dos 16,9% das mulheres.

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