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Aeronáutica vê desorientação espacial do piloto em acidente com Teori

Antes de cair nas águas, o avião fez uma tentativa frustrada de pouso, segundo as investigações. Foto: Reprodução Twitter AeroagoraAnálise preliminar do áudio da cabine do avião que caiu com o ministro Teori Zavascki (Supremo Tribunal Federal) indica que houve desorientação espacial do piloto, segundo técnicos da Aeronáutica que investigam o caso.

A conclusão final dependerá ainda de uma perícia técnica do avião, sobretudo em seus dois motores. Porém, diante dos indícios coletados até o momento, a desorientação do piloto Osmar Rodrigues é a única hipótese em discussão para explicar a causa do acidente na última quinta (19), de acordo com a apuração conduzida pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

A desorientação ocorre, por exemplo, quando o piloto perde a noção do espaço do avião em relação ao solo. Relatório preliminar deve ficar pronto nos próximos dias. As investigações apontam que a aeronave voava com um teto de 150 a 200 pés (45 a 60 metros de altitude) pouco antes da queda, ou seja, estava muito próxima do mar em Paraty (RJ).

Nas palavras de um técnico do Cenipa, o piloto “ciscava” em busca de uma brecha que facilitasse o pouso no aeródromo da cidade. Sem a ajuda de um copiloto e focado em buscar um caminho para aterrissar, o piloto teria perdido a noção de que estava tão perto da água. Sem essa referência visual, ao fazer uma curva, tocou com a asa da aeronave na água, capotando em seguida – além do ministro Teori Zavascki e do piloto, mais três pessoas que estavam a bordo morreram.

Segundo técnicos que ouviram o áudio, Osmar Rodrigues chega a conversar com outros dois pilotos que sobrevoavam o local naquele momento – um deles o reconhece, chamando-o pelo apelido de “Mazinho”.

Antes de cair nas águas de Paraty, o avião fez uma tentativa frustrada de pouso, segundo as investigações. Em um trecho da gravação, Rodrigues diz a expressão “setor Eco”, que significaria curva para o lado leste. Depois, utiliza a palavra “final”, quando estaria então se preparando para pousar.
Um barulho forte é ouvido, de acordo com os investigadores, pouco antes de a gravação ser interrompida, uma espécie de “ruptura”. Acredita-se que, neste momento, o avião tenha se chocado com o mar.

Não há registros de alertas de emergência, pânico, ou algo parecido. Durante os 30 minutos de gravação da cabine, é possível identificar, relatam os investigadores, diálogos do piloto com a torre do Campo de Marte, com o controle aéreo de São Paulo, além da conversa com pilotos que sobrevoavam Paraty. Como não há torre de controle na cidade, os pilotos fazem pousos e decolagens de maneira visual e conversam entre eles para orientação e coordenação.

‘Sem anormalidade’

Em nota divulgada ontem, a Aeronáutica informou que “em uma análise preliminar” os dados extraídos do gravador de voz do avião “não apontam qualquer anormalidade nos sistemas da aeronave”. A Aeronáutica informou, em texto distribuído à imprensa, que o arquivo de áudio “inclui não só informações de voz, mas outros sons que serão importantes para a investigação”. (Leandro Colon)

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