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Aécio Neves retorna ao Senado, admite erro, mas nega crime

Aécio Neves: “não aceitei recursos de origem ilícita. Não prometi ou ofereci vantagem ilícita a ninguém”. Foto: Lula Marques/AGPTDepois de 46 dias afastado do Congresso, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) reassumiu nesta terça-feira (4) a atividade parlamentar e fez discurso negando as acusações que pesam contra ele na delação do grupo J&F, do empresário Joesley Batista. “Não cometi crime algum. Não aceitei recursos de origem ilícita. Não prometi ou ofereci vantagem ilícita a ninguém”, disse.

O tucano apareceu de forma discreta e entrou por um prédio anexo do Senado que dá acesso aos gabinetes. Não quis falar à imprensa. Acompanhado de José Aníbal, ex-senador tucano por São Paulo, foi recebido apenas pela deputada Bruna Furlan (PSDB-SP) e então se dirigiu ao gabinete do senador Tasso Jereissati (CE), onde a bancada do PSDB se reuniu em um almoço. Ao sair do encontro, onde foram debatidos temas como o apoio dos tucanos ao governo, Aécio discursou em plenário.

Em sua fala, o senador negou ter atuado para obstruir a Justiça e se disse vítima de uma “armadilha” do empresário Joesley Batista, que o gravou em março deste ano pedindo R$ 2 milhões. Aécio disse ter errado por se deixar envolver “nessa trama ardilosa”, sem detalhar qual foi seu erro. Pediu desculpas ainda por ter causado problemas para familiares. Sua irmã, Andreia Neves, chegou a ser presa e atualmente cumpre prisão domiciliar.

O tucano desferiu ainda ataques a Joesley, a quem acusou de “falta de caráter”, mas evitou dirigir críticas ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelas acusações contra ele.

Quando Aécio começou a falar, a maioria dos senadores presentes era do PSDB. A oposição deixou o plenário assim que soube que não poderia fazer apartes ao discurso. Ao fim do pronunciamento, houve um tímido aplauso de aliados. Um dos principais apoiadores do governo Temer, Aécio não mencionou o nome do presidente. Disse apenas que as reformas encampadas pelo Planalto –como a previdenciária e trabalhista– têm apoio do PSDB.

Integrantes da cúpula do PSDB acreditam que o retorno de Aécio engrossa a ala do partido que defende a manutenção do apoio ao governo, mas dizem que a atuação do tucano nesse sentido deve ser discreta. No encontro da bancada mais cedo, ficou definido que Tasso permanecerá na presidência do PSDB. Ele assumiu o comando da sigla em maio, depois de Aécio ter se licenciado para defender-se das acusações da JBS.

Aécio é alvo de nove inquéritos no STF decorrentes da Operação Lava Jato. A PGR já ofereceu denúncia em um dos casos.

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