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Acuado, Marcos Michels nomeia rivais de prefeito como assessores

José Carlos e Paulinho Correria deixaram os cargos na administração municipal em janeiro. Foto: Eberly LaurindoEm uma movimentação que aumenta a pressão sobre o governo Lauro Michels (PV), os ex-secretários de Transporte José Carlos Gonçalves (PPS) e de Cultura, Paulinho Correria (PEN) foram nomeados como assessores da presidência da Câmara de Diadema. Junto com o DEM, PPS e PEN elegeram cinco vereadores na base de apoio do prefeito e têm disputado espaço na administração. Os dois deixaram a administração no final de janeiro e já atuam no Legislativo há cerca de 20 dias.

Em 18 de fevereiro, após quase um mês de silêncio, Gonçalves, que também é o presidente municipal do PPS, declarou que o partido estava oficialmente na oposição, mas que estava nas mãos do governo uma recomposição. “Não trabalhamos para reeleger o Lauro para sermos oposição, queremos ser situação, mas queremos ser parceiros”, declarou à época. Paulinho é o presidente municipal do PEN.

A nomeação dos dois rivais do prefeito pelo presidente da Câmara, Marcos Michels (PSB), que também é primo do chefe do Executivo, ocorreu após pressão dos demais integrantes da Mesa Diretora, que precisam assinar as indicações e é formada em sua maioria por parlamentares do PPS e do DEM (Salek Almeida/DEM é o 1º vice-presidente; Pretinho do Água Santa/DEM; Audair Leonel/PPS e Companheiro Sérgio/PPS são 1º, 2º e 3º secretário, respectivamente. A mesa conta ainda com o 2º vice-presidente Paulo Bezerra/PV).

Conforme a reportagem do Diário Regional apurou, travou-se uma verdadeira guerra, com o bloco PPS-DEM bloqueando as indicações do governo, enquanto os integrantes da Mesa que pertencem ao governo faziam o mesmo com as indicações do bloco oposicionista.

Entre as recusas estão o nome da ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Diadema e mãe do secretário de Assuntos Jurídicos do município, Marlene Machado, que foi cotada para substituir o secretário de Assuntos Jurídicos, Roberto Viola, por indicação do grupo do governo. O ex-vereador João Merenda havia sido indicado pelo grupo agora na oposição para a Secretaria de Administração e Finanças, hoje sob responsabilidade de Evaldo Goes da Cruz, e foi barrado pelos situacionistas.

Procurado pelo Diário Regional, Gonçalves minimizou a polêmica e disse que “foi chamado para auxiliar a Câmara”. “Vou ajudar no que for preciso. Tenho experiência no Legislativo, posso contribuir na relação com os demais parlamentares”, afirmou. “A Câmara é a Câmara e a prefeitura é a prefeitura. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nós continuamos afirmando que não trabalhamos para ser oposição, mas queremos ser parceiros e não submissos”, concluiu.
Paulinho Correria e Marcos Michels não retornaram aos contatos da reportagem.

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