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Acordo fechado no TST põe fim a 20 dias de greve de petroleiros

Acordo fechado no TST põe fim a 20 dias de greve de petroleiros
Apesar do fim da paralisação, FUP destacou que estado de greve permanece. Foto: Fernando Frazão/ABr

Após um dia inteiro de negociações no Tribunal Superior do Trabalho (TST), funcionários da Petrobrás chegaram ontem (21) a um acordo com a estatal para por fim à greve que já durava 20 dias. Entre os termos acordados estão a redução na mul­ta aplicada aos sindicatos – de R$ 58 milhões para R$ 2,47 mi­lhões – e o desconto no salário de funcionários referente à metade dos dias não trabalhados.

Segundo o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Ives Gandra, que mediou o acordo, a principal reivindicação dos grevistas foi atendida. Os funcionários queriam que a empresa estabelecesse tabela de turnos de acordo com a conveniência de cada trabalhador. “O motivo da greve foi resolvido, que era a tabela de turnos”, afirmou Gandra após a reunião, na sede do tribunal, em Brasília

Representantes dos sindicatos afirmaram que a grade estabelecida pela estatal era prejudicial e desrespeitava o acordo coletivo feito com a empresa.

Os sindicalistas afirmam, no entanto, que a paralisação, na verdade, foi motivada pela demissão de cerca de mil traba­lhadores na Araucária Nitrogenados (Ansa), subsidiária da Petrobrás no Paraná que terá suas atividades encerradas.

Os primeiros desligamentos na empresa aconteceriam no dia 14 de fevereiro. Esse capítulo, no entanto, não foi encerrado ontem. O acordo fechado prevê que os sindicatos e a Petrobrás sentem novamente para negociar no próximo dia 27.

“A expectativa é conseguir dar um encaminhamento que satisfaça trabalhadores, que resolva o problema da empresa. Porém, agora, dificilmente poderemos reverter a questão da empresa”, afirmou Gandra.

Na quinta-feira, a comentar o resultado financeiro da Petrobrás de 2019, o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, antecipou que os contratos de trabalho vão ser suspensos, independentemente do que resultasse a negociação de ontem. “A decisão está fechada”, disse o executivo.

Castello Branco disse também que a empresa tinha capacidade de suportar uma greve de longo prazo. Sobre os prejuízos da estatal gerados pela paralisação, o combinado é que a Petrobrás poderá descontar metade dos dias não trabalhados. A outra metade será compensada por meio de bancos de horas no prazo máximo de 180 dias.

ESTADO DE GREVE

Representante da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Adaedson Bezerra da Costa aler­tou que o “estado de greve” é permanente. Ou seja, se a cate­goria entender que a estatal desrespeitou outros pontos do acordo coletivo, os trabalhadores poderão parar novamente.

“Combinamos o fim da gre­ve, com todos trabalhando, mas o estado de greve é permanente”, disse. “A gestão do sistema Petrobrás está vindo para cumprir o acordo coletivo”, disse o representante da Fede­ração Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar.

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