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Acordo de flexibilização da mão de obra é prorrogado na Mercedes-Benz

Mercedes-Benz registra queda de 11% nas vendas de caminhões e de 34% nas de ônibus. Foto: Divulgação/Mercedes
Mercedes-Benz registra queda de 11% nas vendas de caminhões e de 34% nas de ônibus. Foto: Divulgação/Mercedes

Os trabalhadores da Mercedes-Benz aprovaram na úl­­ti­ma terça-feira (26) propos­ta costurada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC de pror­rogação das medidas de flexibilização da mão de obra adotadas na fábrica de São Bernardo para mitigar os efei­tos econômicos decorrentes da pandemia de covid-19.

Dos cerca de 8 mil fun­cio­nários da unidade, quase 3.800 participaram da assembleia vir­tual realizada no site do sindicato. A prorrogação do acordo recebeu o aval de 3.002 traba­lhadores (79% do total de votantes), enquanto 707 votaram contra a extensão. Também houve 89 abstenções.

Segundo o sindicato, o acor­­do aprovado na última terça-feira determina a re­novação por mais dois meses da suspensão temporária dos contratos (layoff) de 800 funcionários da produção, com revezamento de duas turmas com cerca de 400 trabalhadores cada. Um grupo ficará fora da fábrica em setembro e outubro e outro nos meses de novembro e dezembro.

O acordo determina ainda a renovação por mais dois meses do afastamento de cerca de 100 trabalhadores com comorbidades, conside­rados grupo de risco para a covid-19. Ao final deste pe­ríodo, o grupo será colocado em layoff por três meses.

Para os trabalhadores do setor administrativo, que estão em home office, o acor­do estabelece a renovação por mais dois meses da redução de 25% na jornada de trabalho.

No período de vigência do acordo, os trabalhadores que estiverem sob qualquer ferramenta de flexibilização têm garantia de receber 100% do salário líquido.

As medidas foram adotadas em maio após a montadora paralisar a produção por cau­sa da pandemia de covid-19.

SETOR EM CRISE

Apesar da recuperação ve­rificada em julho, o setor automotivo está longe de retomar os níveis pré-pandemia tanto de produção como de vendas. Para o fechamento do ano, a Associação Nacional dos Fa­bricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta queda de 45% na produção e de 40% no licenciamento de veículos.

No acumulado de janeiro a julho, a Mercedes-Benz amar­ga queda de 11% nos licenciamentos de caminhões e de 33,9% nos de ônibus.
Na semana passada, a Volks­wagen iniciou negociações com os sindicatos de me­talúrgicos das quatro cidades onde tem fábrica no Brasil para reduzir em 35% o contingente de trabalhadores, o que resultaria em 5.250 demissões.

Segundo a montadora, a medida visa adequar os acordos coletivos vigentes ao “nível atual de produção, com foco na susten­tabilidade de suas operações no cenário econômico atual, impactado pela pandemia do novo corona­vírus”.

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