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ABC teve 11,4 mil acidentes de trabalho no ano passado, um a cada 46 minutos

Dados inéditos divulgados ontem (5) pelo Ministério Público do Trabalho mostram que, a cada 46 minutos, alguém se ma­chu­cou no ABC dentro de seu ambiente de trabalho no ano passado. Foram registrados 11,4 mil acidentes nos sete municípios, os quais resultaram em quase 3,7 mil afastamentos, com gastos previdenciários de R$ 29,7 milhões. Outros 20 trabalhadores não voltaram para casa e entraram para as estatísticas de vítimas fatais.

Os dados integram o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho e foram compilados pela reportagem do Diário Regional.
Apesar de alarmantes, os dados sugerem redução nos indicadores de acidentalidade da região. O número de Comunicações de Acidente no Trabalho (CATs), por exemplo, caiu 5,15% em comparação aos 12.017 registros de 2017.

Na mesma comparação houve forte redução de 14,47% no número de afastamentos, de 35,39% no total de gastos previdenciários e de 35,48% no de vítimas fatais (veja quadro acima).

“É preciso fazer uma análise relativa dos dados”, disse o procurador Luis Fabiano de Assis, responsável pelo observatório, durante a apresentação do estudo, em Brasília. Há dois motivos para isso.

O primeiro é que há, por parte das empresas, subnotificação dos acidentes, que são usadas para o cálculo do Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Trata-se de uma taxa que varia de acordo com a quantidade e a gravidade dos acidentes registrados. Assim, quanto mais notificações, mais as empresas pagam.

O MPT estima que, de ca­da dois acidentes de trabalho, um não é reportado.

O segundo motivo é que as análises devem considerar também o número de empregos com carteira assinada. Em 2016, ocorreram 1.643 acidentes por 100 mil trabalhadores no ABC – taxa de acidentalidade que leva em conta a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), ainda sem dados sobre 2017.

ABC teve 11,4 mil acidentes de trabalho no ano passado, um a cada 46 minutos

R$ 26 bilhões

De 2012 até 2017 foram registrados quase 4 milhões de acidentes e doenças do trabalho no país, gerando gasto superior a R$ 26 bilhões somente com despesas previdenciárias e 315 milhões de dias de trabalho perdidos. Além disso, cerca de 15 mil trabalhadores morreram.

“Estima-se que o país perde R$ 264 bilhões, anualmente, com acidentes e doenças do trabalho, o que corresponde a 4% do Produto Interno Bruto (PIB)”, disse Assis.

Segundo o observatório, a maior parte dos acidentes ocorridos entre 2012 e 2017 foram causados por máquinas e equipamentos (15%).

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