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ABC pagou R$ 3,36 bilhões em tributos no ano passado, aponta Impostômetro

ABC pagou R$ 3,36 bilhões em tributos no ano passado, aponta Impostômetro
Impostômetro consi­dera valores arrecadados com impostos, taxas e contribui­ções. Foto: Reprodução/ACSP

Os contribuintes do ABC pa­garam mais impostos no ano passado. Segundo o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o valor em tributos, taxas e contribuições desembolsado pe­los quase 2,8 milhões de habitantes dos sete municípios somou R$ 3,36 bilhões em 2019.

O montante é 7% superior aos R$ 3,141 bilhões estimados para o ano anterior. Porém, quando con­siderada a inflação projetada pelo mercado financeiro para 2019 (4,1%) , o avanço é de 2,7%.

Com o dinheiro seria pos­sível comprar quase 97 mil au­tomóveis Renault Kwid ze­ro-qui­lômetro – o SUV compacto é vendido por preço a partir de R$ 34.790. Também seria possível adquirir 7,72 mi­lhões de cestas básicas.

Com o resultado de 2019, a série his­tórica do Impostôme­tro reto­ma a trajetória ascendente interrompida em 2018, quando o total de impostos pagos pelos contribuintes do ABC caiu 1,0% na compara­ção com o ano anterior, para R$ 3,17 bilhões – queda atri­buída à crise econômica.

O economista Marcel Soli­meo, da ACSP, destacou que a carga tributária do país é ele­vada, tendo em vista a renda média do brasileiro e o retorno do poder público em serviços essenciais de qualidade.

“Acredito que, nos próximos anos, a carga tributaria deve permanecer alta. O úni­co fator que pode colaborar para a diminuição dos im­postos é o controle nos gastos públicos. Caso não haja esse esforço, o Brasil continuará tendo tributos elevados, sem que isso retorne à população”, afirmou Solimeo.

O economista destacou que a emenda à Constitui­ção aprovada em 2016 que limita o crescimento dos gastos do governo à inflação do ano anterior – o chamado teto dos gastos – ainda não produziu os efeitos desejados. “O esforço das autoridades ainda é lento, se considerarmos a urgência da redução.”

No país, a carga tributária estimada pelo Impostôme­tro somou R$ 2,504 trilhões no ano passado, montante 4,8% superior ao apurado em 2018 (R$ 2,389 trilhões). Descontada a inflação do pe­ríodo, o avanço é de 0,7%.

“O Brasil possui uma das cargas tributárias mais altas do mundo, equivalente ou até superior à carga de nações desenvolvidas. É uma tributação de primeiro mundo que deveria retornar à população por meio de serviços essenciais e políticas públicas de qualidade, mas não é o que ocorre”, destacou Solimeo.

O Impostômetro consi­dera todos os valores arrecadados pelas três esferas de governo: impostos, taxas e contribui­ções, incluindo as multas, juros e correção monetária. A base de dados utilizada inclui Receita Federal, Secretaria do Tesouro Nacional, Tribunal de Contas da União (TCU) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre outros.

 

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