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ABC ganha duas mil indústrias em 34 anos, mas perde metade dos empregos fabris

ABC ganha duas mil indústrias em 34 anos, mas perde metade dos empregos fabris
Estudo revela que aumento no número de estabelecimentos não foi acompanhado de expansão nos postos de trabalho

O Dia da Indústria, que é co­memorado nacionalmente nesta terça-feira (25), não traz notícias anima­do­ras para o setor no ABC. Es­tudo publicado na 17ª carta do Observatório de Políticas Pú­blicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Mu­nicipal de São Caetano (Con­juscs) revela que, entre 1985 e 2019, os oito principais subsetores fabris da re­gião aumentaram em 68,8% o número de empresas, mas essa expansão não foi acompa­nha­da de crescimento no em­pre­­go. Pelo contrário, o es­to­que de trabalhadores com car­­teira assinada recuou 48,6% na mesma comparação.

O estudo emprega dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério da Economia, para acompa­nhar a evolução do número de empresas e de postos de trabalho em oito setores industriais: me­­talurgia, mecânica, materiais elé­­tricos e de comunica­ção, veículos/autopeças, madeira/mo­biliário, papel, borracha/cou­­ro e químico/farmacêutico.

Segundo o estudo, o número de indústrias nesses oito se­tores saltou de 2.665 em 1985 para 4.498 em 2019. Na mesma comparação, o total de postos de trabalho formais caiu de 298.736 para 153.622.

Ainda segundo a nota técnica, a evolução do número de empresas revela, sobretudo, a fragmentação das grandes empresas e a terceirização de atividades, por meio da in­ten­sa reestruturação produtiva ocorrida no período.

Os dados apontam para uma mudança no perfil das indústrias da região, com o predomínio atual de micro e pequenos estabelecimentos. Se, em 1985, as empresas tinham, em média, 112 funcionários, em 2019 o número caiu para 34. No setor automotivo e de autopeças, a redução é ainda mais expressiva, de 766 para 173 (veja quadro acima).

“O problema é que as pequenas indústrias são mais frágeis e não têm a mesma capacidade de inovação e de evolução tecnológica que as fábricas de maior porte. Hoje, vivemos a Indústria 4.0, mas boa parte do parque fabril do ABC parou na segunda e na terceira revoluções industriais”, comentou a economista Gisele Ya­mauchi, que é pesquisadora do Conjuscs e assina o artigo juntamente com o economista Jeffer­son José da Conceição, que coordena o observatório.

“São setores tradicionais, que fizeram a história do ABC e precisam ser olhados com atenção pelo poder público, no sentido de oferecer condições para que essas empresas possam se aper­feiçoar e acompa­nhar a evolução tecnológica”, prosseguiu Gisele.

O estudo destaca ainda que os atores do ABC precisam conectar os setores que compõem a estrutura produtiva da região com as novas áreas de expansão da economia (entre as quais saúde, economia digital, tecnologia da informação e comunicação, economia circular e economia verde) e com a rede de pesquisa e inovação, como as universidades e os laboratórios públicos e privados.

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