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ABC é 98º colocado em ranking nacional da violência

Mortes por causas vi­o­lentas vitimaram uma pes­soa a cada 16 horas no ABC em 2015. No total foram registrados 555 homicídios naquele ano, o que corresponde a 20,8 casos a ca­da 100 mil habitantes.
As informações – que não consideram os dados de Rio Grande da Serra – constam do Atlas da Violência 2017, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e divulgado ontem (5).

Com base na soma das taxas de homicídio e de mortes violentas por causas indeterminadas (MVCI) em municípios com ao menos 100 mil habitantes, o estudo elaborou um ranking nacional, sendo o primeiro colocado o mais pacífico e o 304º e último, o mais violento.

O ABC ocuparia a 98ª colocação nesse ranking se fosse avaliado como um só município – à frente, por exemplo, de Capitais como Brasília (26,9 mortes por 100 mil habitantes), Rio de Janeiro (28,8) e Belo Horizonte (29).

Ainda segundo o estudo, a taxa de homicídios da região é 462% superior à da catarinense Jaraguá do Sul (3,7), cidade mais pacífica do país, mas ao mesmo tempo corresponde a 19,4% da taxa de Altamira (PA), a mais violenta (veja quadro acima).

Nenhum dos seis municípios do ABC considerados no estudo ficou entre os 30 mais pacíficos ou 30 mais violentos do país. São Caetano é o mais bem posicionado (34º colocado) e o mais pacífico do ABC, com 19 ocorrências em 2015 e taxa de 12 por 100 mil habitantes.

Na sequência aparecem Ribeirão Pires (71ª colocada, com taxa de 17,4), São Bernardo (82º, 20,2), Santo André (95º, 21,5), Mauá (100º, 22,7) e Diadema (101º, 22,8).

País

Ainda segundo o Atlas, o Brasil teve 59.080 homicídios em 2015, com 28,9 mortes a cada 100 mil habitantes. A taxa é 10,6% superior à registrada em 2005, quando ocorreram 48.136 homicídios, com taxa de 26,1.
Em determinados grupos, o aumento foi ainda maior. A taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos cresceu 17,9% entre 2005 e 2015. Entre os negros, houve expansão de 18,2% na mesma comparação.

Jovens e negros são as principais vítimas da violência no Brasil. Mais de 92% dos homicídios acometem os homens jovens e, a cada 100 pessoas assassinadas, 71 são negras. Esse contingente, aliás, tem chances 23,5% maiores de ser assassinado do que brasileiros de outras raças, já descontados os efeitos de idade, escolaridade, sexo, estado civil e local de residência.

“Houve proliferação dos mercado ilícito de drogas para as cidades pequenas e médias, que veio no rastro do crescimento da renda na década de 2000, causando violência. Além disso, o Estatuto do Desarmamento não foi implementado a contento. Faltou às autoridades em vários níveis organização para identificar e retirar armas de fogo de circulação”, disse Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea. “Outro fator é o descompromisso dos governos estaduais e federal com políticas públicas efetiva de combate à violência.”

Apenas 2% dos municípios brasileiros (111) respondiam, em 2015, por metade dos casos de homicídio no país.

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