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ABC busca diversificar exportações para reduzir dependência do mercado argentino

ABC busca diversificar exportações para reduzir dependência do mercado argentino
Exportações de veículos e autopeças da região caíram 40,4% no ano passado. Foto: Anderson Amaral/Especial para o Diário Regional

A crise na Argentina, iniciada em 2018 e agravada no ano passado, derrubou a participação do país vizinho nas exportações do ABC ao patamar mais baixo em 14 anos e tem levado as empresas a buscar outros mercados como forma de compensar as perdas nas vendas aos “hermanos”.

Segundo o Ministério da Economia, a Argentina comprou 21,5% dos produtos exportados pela região no ano passado, contra 30,2% em 2018 – menor participação desde os 20,3% registrados em 2005. Na mesma comparação, os embarques ao país vizinho caíram 50,2%, para US$ 809 milhões.

Ainda assim, a Argentina se mantém como o principal parceiro comercial do ABC. O país conquistou esse título em 2004, quando superou o México, até então o maior comprador de produtos dos sete municípios. Nos anos seguintes, México e Estados Unidos alternam-se na segunda posição, com vantagem para os latino-americanos em 2019.

A perda do poder de compra dos hermanos tem obri­gado as empresas da região a expandir a clientela, com o objetivo de reduzir, ainda que parcialmente, a dependência externa da Argentina. Prova disso é que, na comparação entre 2018 e 2019, houve crescimento nos embarques para Colômbia (121,5%), China (35,7%), Índia (18,3%) e Alemanha (5,7%), entre outros.

A Mercedes-Benz, por exem­plo, elevou em 40% as exportações de chassis de ônibus rodoviários e urbanos para a Indonésia. Somente no ano passado, a montadora com fábrica em São Bernardo vendeu 1.026 unidades para o país do Sudoeste asiático.

A diversificação, porém, exige grande empenho da área comercial das empresas em um momento de desaceleração do comércio global. “A recuperação da Argentina depende da trajetória da economia deles, não está na nossa governança. O que podemos fazer é buscar no­vos mercados, mas essa não é uma tarefa simples”, afirmou Sandro Mas­kio, co­orde­nador do Ob­ser­­va­tó­rio Econômico da Uni­ver­sidade Metodista de São Paulo.

Pesa contra a estratégia de diversificação a perda de ritmo do comércio internacional de­corrente da disputa entre EUA e China – cenário que pode se tornar ainda mais desafiador caso o avanço da epidemia de coronavírus afete a economia chinesa, o que provocaria estragos no mundo inteiro.

Outro obstáculo destacado por Maskio é a inexistência, no Brasil, de política industrial voltada ao desenvolvimento produtivo e à melhora da competitividade. “Infelizmente, à medida que fica mais exposto à competição, o setor tem se especializado em manufaturas mais simples e de menor valor agregado, em um processo de especialização regressiva”, ob­servou o economista.

Para ajudar micro e pequenas empresas a se aventurar no comércio internacional, o governo paulista lançou esta semana o programa Exporta SP – que, no primeiro ano, vai capacitar 150 empresas de seis regiões do Estado, entre as quais a Grande São Paulo.

VEÍCULOS

No ano passado, o ABC registrou forte queda de 30% nas vendas externas, para US$ 3,76 bilhões. Trata-se do pior resultado desde 2003. Além da redução nas encomendas feitas pela Argentina, outra explicação para o resultado está na diminuição de 40,4% nos embarques de veículos e autopeças, principal pauta exportadora dos sete municípios. Na passa­­gem de 2018 para 2019, a ru­­bri­ca despencou de US$ 3,1 bi­­­­­­­­lhões para US$ 1,85 bilhão.

Da mesma forma, as compras externas caíram 22% no ano passado, para US$ 3,81 bi­­lhões. Como resultado, o sal­do comercial (exportações menos importações) ficou deficitário em US$ 46,8 mi­lhões, ante o superávit de US$ 496,2 mi­lhões registrado em 2018.

A corrente de comércio (so­­ma de exportações e importações), por sua vez, alcançou no ano passado US$ 7,56 bilhões, com queda de 26,3% ante os US$ 10,26 bilhões de 2018, o que sugere desace­le­ração da atividade econômica.

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