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Bolsonaro evita caso Moro; CNMP investiga Dallagnol

Bolsonaro evita caso Moro; CNMP investiga Dallagnol
Moro afirmou que é “normal” o diálogo extraoficial entre juízes e integrantes do Ministério Público. Foto: Arquivo

O presidente Jair Bolsonaro não fez nesta segunda-feira (10) manifestação pública sobre as supostas mensagens trocadas entre o ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores da Lava Jato, na qual discutem detalhes da operação. A intenção do presidente é de, antes de se manifestar publicamente sobre as conversas, divulgadas no domingo pelo site The Intercept Brasil, ouvir o seu ministro pessoalmente, o que deve ocorrer hoje.

A suposta troca de mensagens mostrariam que Moro teria orientado investigações da Lava Jato por meio de mensagens trocadas no aplicativo Telegram. O site afirmou que recebeu as mensagens de fonte anônima. O The Intercept tem entre seus fundadores Glenn Greenwald, americano radicado no Brasil que é um dos autores da reportagem.

O ex-juiz da Lava Jato dei­xou a magistratura em novembro do ano passado, logo após aceitar convite para assumir o Ministério da Justiça e é consi­derado um dos “superministros” de Bolsonaro.

Nesta segunda, coube à ala militar do governo sair em defe­sa do ex-magistrado. Em texto enviado aos seus contatos por um aplicativo de mensagens, o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), disse que “querem macular a imagem do Sérgio Moro, cujas integridade e devoção à Pátria estão acima de qualquer suspeita”. “Vão ser desmascarados, mais uma vez. Os diálogos e acusações divulgadas ratificam o trabalho honesto e imparcial dos que têm a lei a seu lado. O julgamento popular dará aos detratores a resposta que merecem”, escreveu.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, rea­firmou que Moro tem “total confiança” do governo. “É um ministro, um homem de muito respeito e do bem”, disse Azevedo e Silva. O vice-presidente Hamilton Mourão foi na mesma linha e disse que Moro é alguém da “mais ilibada confiança” do presidente. “Conversa privada é conversa privada, descontextualizada ela traz qualquer número de ilações”, disse Mourão.

CONSELHO

Um dos principais interlocutores de Moro nas supostas conversas vazadas, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, terá de se explicar ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O corregedor, Orlando Rochadel Moreira, afirmou ver “eventual desvio na conduta” de Dallagnol e outros membros da força-tarefa e abriu apuração preliminar sobre o caso. Moreira deu um prazo de 10 dias para que Dallagnol e os demais procuradores se manifestem.

Já o Conselho Federal e o Colégio de Presidentes Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recomendaram o afastamento dos cargos públicos de todos os envolvidos no caso. A nota não cita nominalmente Moro nem Dallagnol. A OAB também manifesta “preocupação” e “perplexidade” tanto com o conteúdo dos diálogos quanto com a possibilidade de as autoridades terem sido “hackeadas”. Fatos que, segundo a Ordem, trazem “grave risco à segurança institucional” e “ameaçam os alicerces do Estado Democrático de Direito”.

Para Moro e Dallagnol, mensagens não trazem orientação à Lava Jato

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e o procurador da República Deltan Dallagnol disseram, nesta segunda-feira (10), ser “normal” o diálogo extraoficial entre juízes e integrantes do Ministério Público, e defen­deram a isenção da Lava Jato. “É normal que procuradores e advogados conversem com o juiz mesmo sem a presença da outra parte”, disse Dallagnol nas suas redes sociais. “Não há orientação nenhuma”, afirmou Moro, ao desembarcar em Manaus, nesta segunda.

“Não tem nenhuma orientação ali naquelas mensagens. Nem posso dizer que são autênticas, porque, veja, são coisas que aconteceram e, se aconteceram, foram há anos. Não tenho mais essas mensagens, mas ali não tem orientação nenhuma”, disse Moro.

Questionado por que manteve contato com os procuradores via mensagem de texto de aplicativo, Moro afirmou que “é algo normal”. “Veja, os juízes conversam com procuradores, conversam com advogados, conversam com policiais. Se houve alguma coisa nesse sentido (de direcionamento), são operações que já haviam sido autorizadas e isso é questão de logística de saber como fazer”, declarou.

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