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Inflação oficial de maio cai a 0,13%, menor taxa para o mês em 13 anos

Inflação oficial de maio cai a 0,13%, menor taxa para o mês em 13 anos
Grupo Alimentos foi um dos quatro que registraram deflação no mês passado. Foto: Tânia Rego/ABr

A queda nos preços dos ali­mentos ajudou a desacelerar a inflação oficial no país em maio. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,13%, a menor taxa para o mês em mais de uma década (desde 2006), informou ontem (7) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, a taxa acumulada em 12 meses pelo IPCA desacelerou de 4,94% em abril para 4,66% em maio.

O resultado motivaram re­du­ção nas taxas dos contratos de juros no mercado futuro. Ain­da não há sinal de pressão de demanda sobre a inflação, reconhece Pedro Kislanov da Costa, analista do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

“O consumo das famílias tem recuperação lenta, gradual. A desocupação está com patamar bastante elevado, a massa de rendimentos está estável. Há um cenário ainda de incertezas”, disse Costa.

O cenário inflacionário benigno pode reforçar o debate sobre o corte da taxa básica de juros, a Selic (hoje em 6,5% ao ano), opinou o economista-chefe da Rio Bravo Investimentos, Evandro Buccini. Porém, o economista acredita que o Banco Central será cauteloso em eventualmente reduzir o juro básico, mas isso não pode ser descartado se a atividade e a inflação continuarem baixas. Para Buccini, um dos principais riscos para a inflação deste ano e do seguinte são os efeitos da peste suína africana que avança pela China.

“Não sabemos se (os efeitos) chegarão e qual o tamanho do impacto aqui. Esse é o principal ponto de interrogação”, apontou o economista-chefe da Rio Bravo Investimentos.

DEFLAÇÃO

Quatro dos nove grupos de despesas das famílias regis­traram deflação em maio. O destaque foi o recuo nos preços dos alimentos, mas os consumidores também gastaram menos com educação, comunicação e artigos de residência. As passagens aéreas também ficaram mais baratas, mas a alta na gasolina contrabalançou a redução.

A conta de luz voltou a subir, impedindo o arrefeci­mento maior da inflação. “O IPCA teria sido de 0,05% se não tivesse energia elétrica”, informou o analista do IBGE. No entanto, a adoção da bandeira tarifária verde em junho deve contribuir para que haja queda na pró­xima leitura do IPCA.

“Em junho poderemos ter alguma deflação”, previu o economista-chefe do Haitong Banco de Investimentos Brasil, Flávio Serrano.

“Houve muita pressão de curto prazo, como em feijão e gasolina. Agora entramos no que já esperávamos: o IPCA cheio também bastante confortável, assim como os núcleos. A inflação vai seguir baixa. Não tem como repassar aumentos para o consumidor”, comentou a economista do Itaú Unibanco Julia Passabom.

A agência classificadora de risco Austin Rating cortou a projeção para o IPCA de ju­nho, que passou de elevação de 0,10% para deflação de 0,13%. “Tal cenário reforça nossa tese de que a inflação está sob controle e que a Selic pode ser reduzida sem quaisquer riscos ao cumprimento da meta deste ano e de 2020, e já poderia ser em julho”, defendeu o economista-chefe Alex Agostini.

 

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