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Em 30 anos, base fraca fortalece Centrão na Câmara Federal

Em 30 anos, base fraca fortalece Centrão na Câmara Federal
Bloco foi idealizado ainda na Constituinte, em 1987. Foto: Arquivo

Símbolo do que vem sendo chamado de “velha política”, o Centrão completa neste ano três décadas como fiel da ba­lança na relação da Câmara dos Deputados com todos os presidentes eleitos democraticamente desde 1989. De lá pra cá, a atuação desse conjunto de partidos – organizados sempre para ter força na negociação com o Executivo – foi determinante para manter ou tirar presidentes do cargo, aprovar ou recusar reformas e ainda definir o ritmo da pauta, especialmente quando o governo tem dificuldades em articular uma base parlamentar. Hoje, reúne 42% dos partidos com representação na Casa.

Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), realizado a pedido do O Estado de S. Paulo, mostra que o Centrão atual, com cerca de 225 deputados, perdeu 16% de seus votos na comparação com os governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB). Até a posse de Jair Bolsonaro (PSL), o bloco tinha 270 representantes, o maior desde a redemocratização. Porém, confirma também que a força do grupo não está necessariamente em seu tamanho, mas em sua capacidade de articulação – tem represen­tantes em 11 dos 26 dos partidos da Câmara.

A situação atual reflete a história do bloco idealizado ain­da na Constituinte, em 1987. O grupo mostrou força logo na primeira composição. Resultado de racha entre conservadores e progressistas do MDB, e criado para defender os interesses liberais do mercado nas fases de subcomissões e comissões temáticas, o Centrão reuniu logo no seu início em torno de 300 dos 559 constituintes (487 deputados e 72 senadores) e passou a influenciar todo o processo ao conseguir, em plenário, mudar o regimento interno.

Ao longo de três décadas, o Centrão foi decisivo para os diversos governos, contra e a favor. Como na aprovação do mandato de cinco anos para José Sarney, do impeachment de Dilma, e na rejeição das denúncias contra Temer.

Ainda que sem um caráter orgânico como visto hoje, já era possível identificar na origem do bloco alguns porta-vozes e ao menos quatro interesses que os uniam: o liberalismo econômico, a pauta conservadora nos costumes e as demandas ruralistas e governistas.

A relação de embate com o governo Bolsonaro tornou o bloco alvo principal das manifestações de 26 de maio. Naquele domingo, apoiadores do presidente foram às ruas criticar a postura dos represen­tantes do bloco.

A forte renovação das urnas em 2018 explica o menor número do Centrão. No atual cenário, dois fatores fortalecem o grupo: o partido do presidente – que passou de 1 para 54 deputados na última legislatura e tem pouca experiência na articulação política – e a indisposição de Bolsonaro para acordos com o Parlamento, o que tensiona a relação.

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