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‘Na essência, Bolsonaro está no caminho. O resto é fumaça’, diz Skaf, durante evento em Diadema

‘Na essência, Bolsonaro está no caminho. O resto é fumaça’, diz Skaf, durante evento em Diadema
Skaf fala aos empresários acompanhado do diretor-titular do Ciesp Diadema, Anuar Dequech Júnior. Foto: Karim Kahn/Divulgação/Fiesp

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf (MDB), mi­nimizou ontem (5), em Dia­dema, as po­lêmicas em que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem se envolvido desde o início de seu mandato e afirmou que, “na essência, as reformas, o go­verno está no caminho”.

“O atual governo faz um mon­te de fumaça, mas na essência está no caminho – de apro­var as reformas, de combater a corrupção, de reduzir a criminalidade. É verdade que o presidente fala isso ou aquilo, mas o Bolso­naro era diferente durante a campanha? Foi eleito desse jeito e é preciso respeitá-lo”, afirmou Skaf, durante evento rea­lizado no Ciesp Diadema.

“O que interessa para o país o que diz o filho do presidente, o que diz o Olavo de Carvalho (guru da fa­mília Bolsonaro)? O que interessa é a gente resolver a demanda de milhões de pessoas por emprego, melhorar a qualidade da educação, promover o de­senvolvimento. O resto é fuma­ça, e eu gosto de me concentrar no que interes­sa”, argumentou Skaf, diante de plateia de cerca de 200 empresários que lotaram o audi­tório da regional do Ciesp.

O industrial afirmou que, apesar de a atividade econômica ter encolhido no primeiro trimestre, não há motivo para pessimismo. “O ano começou com otimismo, talvez exage­ra­do, por­­que uma eleição não é suficiente para resolver os pro­­blemas do país. Porém, tam­bém não há razão para pessimismo. Não vejo o horizonte ruim. Te­mos a reforma da Previ­dên­cia – que, se aprovada, mudará expectativas”, comentou Skaf. “Quando isso ocorre, destrava o consumo e o investimento.”

Skaf disse acreditar na apro­vação, antes do recesso parlamentar de julho, “de uma boa refor­ma, com boa economia fiscal”. “No Senado, que está mais convencido (da necessidade da re­forma), acho que será aprovada em agosto, setembro”, previu.

O industrial não se mostrou preocupado com a possibilidade de o governo promover abertura comercial abrupta do país, por meio do corte nas tarifas de importação. Skaf disse ter conversado com Paulo Guedes sobre o assunto durante a visita do ministro da Economia à sede da Fiesp, na semana passada.

“Nossa visão é de que, depois que os juros baixarem, a carga tributária cair e que os custos de logística diminuírem, ou seja, o país ficar competitivo, pode abrir (a economia). É preciso um cronograma de abertura comercial responsável que ande junto com a me­lhora da competitividade. Isso foi bem conversado na semana passada e o discurso dele (Guedes) mudou bastante”, revelou o presidente da Fiesp.

“Sou a favor da abertura, mas não posso me colocar numa corrida enfrentando um atleta profissional enquanto eu carrego uma mochila com 30 kg de pedras nas costas”, comparou Skaf. “Primeiro a gente tira as pedras. Depois, vou para a corrida em isonomia com o adversário.”
Ao comentar o atual momento do setor fabril no ABC, em especial o fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo, Skaf afirmou que os proble­mas do setor na região não diferem muito dos enfrentados no restante do país.

“A indústria passa por um momento de vacas magras não só no ABC, mas no Brasil. Nossa expectativa é que, com a aprovação das reformas da Previdência e tributária, o país tenha um novo mo­mento de crescimento e de retomada de empregos, que será horizontal, porque quando a economia vai bem (a situação) melhora pa­ra todos. Há casos pontuais como o da Ford, mas há negociação em andamento e um novo grupo pode assumir a fábrica e manter empregos”, disse.

ALFINETADA

Candidato derrotado na dis­puta pelo governo paulista, Skaf foi questio­nado por um empre­sário sobre o que faria de diferente do gover­nador João Doria (PSDB). “Go­vernar”, respondeu.

“Condenar toda a classe po­lítica brasileira não é uma boa. O problema é que, ao assumir um cargo, o político precisa se preocupar em cumprir sua missão, e não com a próxima eleição”, alfinetou Skaf. Doria já foi apontado por Bolsonaro como possível candidato ao Palácio do Planalto em 2022 e, na semana passada, na convenção nacional do PSDB, foi recebido com gritos favoráveis à candidatura.

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