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Prévia do BC para o PIB aponta retração de 0,68% no 1º trimestre

Confirmando o pessimismo do mercado, a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) calculada mensalmente pelo Banco Central mostrou nova retração da economia brasileira em março. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,28% no terceiro mês do ano em rela­­ção a fevereiro, já desconsideran­do os efeitos de calendário.

O indicador já havia caído 0,98% em fevereiro e 0,11% em janeiro. No acumulado do primeiro trimestre, o IBC-Br teve baixa de 0,68% na comparação com o trimestre anterior (outubro a dezembro de 2018), pela série ajustada.

O resultado oficial do PIB no primeiro trimestre será divulgado pelo IBGE no dia 30, mas o desempenho do IBC-Br reforça o entendimento – já admitido pelo próprio Banco Central – de que a economia andou para trás no começo de 2019.

Conhecido como espécie de “prévia do BC para o PIB”, o indicador serve mais precisamente como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses.

Com a confirmação do resultado ruim em março, diversos analistas reforçaram suas apostas no enfraquecimento da economia. A economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour Chachamovitz, cita que os primeiros indicadores de abril também mostram resultado aquém do esperado. Dessa forma, ela considera difícil o PIB deste ano ficar acima de 1%, que é sua projeção atual.

“Há risco de ficar até abai­xo disso”, alertou. “Se a reforma (da Previdência) não for aprovada até junho na Co­missão Especial, existe até a chance de recessão em 2020”, acrescentou. Tecnicamente, o país entra em recessão após dois trimestres consecutivos de recuo no PIB.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na terça-feira, o BC já havia afirmado que os “indicadores disponíveis sugerem probabilidade rele­van­te de que o PIB tenha recuado ligeiramente no primeiro trimestre do ano, na comparação com o trimestre anterior”.

A previsão atual do BC para a atividade em 2019 é de avanço de 2,0%, mas seguramente essa estimativa será revisada para baixo no próximo Relatório Trimestral de Inflação (RTI) da ins­tituição, em junho. O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, adiantou que a equipe econômica já trabalha com previsão de crescimento de ape­nas 1,5% neste ano.

O BNP Paribas também já estima PIB abaixo de 1,0% este ano. Ontem, o banco reduziu a projeção de 2,0% para 0,8%, citando efeito negativo da desaceleração global e o atraso na tramitação da reforma da Previdência.
Com a projeção mais baixa para o PIB de 2019, de 0,5%, a Kapitalo Investimentos explica que o número do ano é bastante influenciado pelo resultado do primeiro trimestre. Como a ins­tituição avalia que a queda no período deve ser de 0,4%, calcula que seria necessário crescer 0,7% nos outros trimestres pa­ra resultar em PIB de 1%.

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